Povosemamor

4ª edição suplementada, 2005

Copyright 2005 por

MW Florestal do Brasil Ltda.

Itacoatiara – AM

Brasil

 


O Autor

 

 

Werner Rydl nasceu na Áustria no ano de 1957. Completou um curso de técnico de Xerox. Sua paixão concentrou-se no estudo analítico do período pós-guerra da Áustria. Politicamente perseguido, deixou a Áustria, há 20 anos, para encontrar na sua nova pátria por opção, o Brasil, a liberdade que lá não pôde usufruir. Werner Rydl é brasileiro naturalizado desde o ano de 1995.

 


Prefácio

 

Prezada leitora, prezado leitor!

 

Depois de centenas de publicações e edições de livros em sua terra natal, a Áustria, Werner Rydl descreveu de maneira impressionante e em linguagem fácil pela primeira vez para nós brasileiros o entendimento democrático da Áustria. Desencadeado por uma visão histórica falsificada do período de pós-guerra da Áustria, Werner Rydl, com a idade de 25 anos, já foi descrito pelos seus antigos patrícios como elemento subversivo, que não se contentava com os esclarecimentos históricos dados por aqueles que então governavam o país.

Conheço Werner Rydl desde o ano de 1990. Ele é, pode-se dizer quase desde seu nascimento, um workaholic. Ele não consegue viver sem trabalhar, o que para ele significa também por a mão efetivamente ao trabalho no verdadeiro sentido da palavra. O que percebi imediatamente desde os primeiros momentos do nosso encontro é sua impressionante personalidade e a incrível calma e circunspeção que irradia. Ele fala lentamente, de maneira refletida, e mesmo em momentos quando se poderia pensar que deveria surgir ódio e raiva, suas palavras soam ponderadas e quase suaves. Geralmente, pessoas idosas e sábias falam dessa maneira, que já se livraram dessas emoções perturbadoras.

Acredito, que desse homem pode-se dizer que criou conseguiu criar algo, que somente poucos conseguem: De tudo que lhe foi infligido, ele não saiu amargurado e cheio de ódio, mas alcançou com isso a grandeza humana.

Werner Rydle mora desde há 15 anos em Barra de Sirinhaem – PE, onde construiu para si uma residência em forma de torre diretamente junto ao Oceano Atlântico. Com essa incrível fortaleza residencial, Werner Rydl realizou um sonho da sua juventude que ele mesmo construiu – com apenas alguns auxiliares. A torre redonda de três andares ergue-se junto à praia como uma rocha na arrebentação, tão perto da água que, ao abrir as altas janelas, teme-se por instantes que a água respingue para dentro dos quartos. No interior da casa não se observa o clichê de uma vida luxuosa. Werner Rydl e sua esposa vivem de modo quase espartano, os interiores são simples e parcos, contendo apenas o que é realmente necessário para a vida: camas, armários, nas paredes, quadros simples e reproduções impressas, na cozinha, um fogão de duas bocas, refrigerador, mesa, poltronas, nada mais. Também no banheiro apenas o mais essencial: chuveiro e lavatório.

 

Valdir Antônio Bieger

Santa Catarina

Brasil

 


Conteúdo

 

Capítulo  1: Tudo Começou Assim

 

Capítulo  2: O Início da Vida Profissional

 

Capítulo  3: A Luta com as Repartições públicas

 

Capítulo  4: O Sujeito Subversivo

 

Capítulo  5: Prisão Preventiva – Período de Amadurecimento

 

Capítulo  6: A Primeira Perseguição Política

 

Capítulo  7: A Vida depois da Prisão

 

Capítulo  8: O Embargo

 

Capítulo  9: Os Últimos Dias na Áustria

 

Capítulo 10: Emigração para o Brasil

 

Capítulo 11: Meu Fim Comercial na Áustria

 

Capitulo 12: Nacional-socialismo na Áustria

 

Capítulo 13: Perseguição Nacional-socialista Hoje

 

Capítulo 14: Atividades Econômicas no Brasil

 

Capítulo 15: A Áustria – Um Primeiro Mundo?

 

Capitulo 16: Preso no Brasil

 

 


Capítulo 1

 

Tudo Começou Assim

 

Tudo começou com meu nascimento em 17.8.1957 em Viena – como primeiro filho da minha mãe Erna Rydl e do meu pai Wilhelm Rydl. Freqüentei a escola primária e de segundo grau na Baixa Áustria e ingressei em seguida na Höhere Bunbdeslehr- und Versuchsanstalt für Chemische Industrie (Instituto Federal Superior de Ensino e Pesquisass para a Indústria Química) na Rosensteingasse em Viena, concluindo o curso com sucesso.

De alguma forma, eu era diferente das outras crianças. Tinha muito pouco interesse em brinquedos e brincadeiras. Sempre me interessou a realidade, a vivência real com outras pessoas. Meus pais eram autônomos e possuíam uma tinturaria de meias em Viena. Já antes do meu tempo escolar ajudei no trabalho, mas também durante os anos de escola. Fazia isso com grande entusiasmo. As máquinas e o trato com pessoas,mas também o jogo com números e fatos sempre me interessaram, e assim ganhei rapidamente o acesso aos aspectos econômicos da vida. E esse interesse partiu de mim mesmo – nunca fui obrigado para isso pelos meus pais. Muito pelo contrário: às vezes isso era até desagradável para meu pai eu não sair5 de perto das máquinas e de dentro da fábrica. Ele talvez pensasse que estava com isso se apropriando da minha infância porque não me ocupava com brinquedos e crianças da mesma idade. Mas para mim, essa era a diversão maior.

 

A filosofia do meu pai, que também se tornou minha educação, era: “se você trabalha, vai viver bem porque você terá dinheiro, e se tiver dinheiro, estará bem”. Assim, tentei o mais rapidamente possível concretizar isso para logo ter uma vida garantida.

 

Tenho um irmão que é quatro anos mais jovem que eu, e uma irmã, uma ano mais nova. Esses não pensavam dessa forma. O contato com meus irmão realmente não era estreito, afinal eles pensavam totalmente diferente. Houve até disputas de poder com meu irmão, porque ele sempre foi privilegiado pelos meus pais – pelo menos era essa a minha impressão. Embora fosse quatro anos mais novo, ele tinha os mesmos direitos que eu. Fosse isso a televisão ou a permissão de ficar acordado até às dez horas da noite – o que eu, um ano antes, ainda não podia, tudo isso lhe era permitido já muito mais cedo. Eu via isso como injustiça, e assim surgiram freqüentes atritos entre nós, o que levava a conflitos mais amplos.

Ainda consigo lembrar-me muito bem de uma ocorrência: meu irmão tinha feito alguma travessura, que muito desagradou meu pai – não me recordo mais o que foi. Em todo caso, denunciei-o ao meu pai. Pensei que agora podia dar o troco ao meu irmão. Meu pai respondeu: “Tudo bem, agora traga-me o batedor de tapetes”. Cegamente confiante na punição do meu irmão entreguei-lhe o batedor de tapetes, porém meu pai bateu em mim com a justificativa: “Não se fazem fuxicos!” Fiquei furioso. Quando meu pai me soltou caí no chão, levantei-me e bati no meu irmão. Pois esse estava rindo enquanto eu apanhava do meu pai. Naturalmente, a raiva que sentia pelo meu irmão não diminuiu.

Na época, eu tinha 10 anos e essa ocorrência tornou-se um acontecimento chave na minha infância. Não porque nessa idade e na Áustria de então, não se estivesse acostumado de apanhar dos pais e dos professores na escola, não, foram as circunstâncias que motivaram minha agressão espontânea contra meu irmão – e a passagem à via de fatos – devido à agressão física do meu pai. Já nessa idade tive a consciência de que todos os conflitos interpessoais podiam ser superados sem agressão física. Mas, porque então me tornei efetivamente agressivo contra outra pessoa? Essa problemática deveria passar a ser a fundamentação para todas as reflexões posteriores a respeito do meu ambiente daquela época.

 

Ambos os meus pais trabalhavam na empresa que estava instalada na nossa casa construída em regime próprio. Meu pai não era proprietário, mas sócio da empresa, cuja matriz ficava em Linz. Nossa parte era a tinturaria e a embalagem e meus pais eram indispensáveis na firma. Não havia quaisquer substitutos ou outras pessoas na mesma, que soubessem trabalhar com a máquina a vapor e a centrífuga, salvo eu. Ainda com dez anos de idade, conseguia sozinho realizar todas as operações. Uma vez, quando meus pais tiveram que viajar para a Alemanha e não podiam mandar o pessoal em férias, eu mesmo assumi a responsabilidade. Eu disse: “Vocês podem confiar tranqüilamente em mim, vou conseguir fazer isso tudo”. Eu tinha então quatorze anos e dirigi a empresa sozinho durante duas semanas. De manhã levantava às seis horas, ia até a tinturaria e colocava as meias na máquina. O processo de tingimento durava aproximadamente quatro a cinco horas. Durante esse tempo, eu estava na escola. Depois da escola voltava para a fábrica e continuava os trabalhos.Nessa época supervisionava sempre entre quarenta e cinqüenta mulheres, que embalavam e formavam.

Para mim, isso não significava um encargo, mas desde o início tive a certeza que o aprendizado da técnica e a compreensão das relações econômicas eram necessários para minha vida. E meu pensamento era, se faço as coisas hoje, em vez de amanhã, tenho uma certa vantagem no futuro.

Depois de dez anos, o sócio do meu pai faleceu e a firma foi fechada. Em seguida, meu pai decidiu tornar-se autônomo com uma sauna comercial. Alugamos a casa em Viena e nos mudamos para Pottendorf. O terreno tinha um preço bom e construímos juntos com meu pai uma residência com uma sauna comercial no porão.

O fechamento da fábrica de meias atingiu-me profundamente e me deixou muito triste, mas já então aprendi de aceitar as coisas na vida como aparecem sem delongar-me em pensamentos porque elas acontecem, mas simplesmente olhar para o futuro. Nessa época, eu tinha cerca de dezesseis anos. Nessa idade temos pouca influência sobre as coisas; todas as decisões vinham dos meus pais e eu tinha que aceitá-las.

O objetivo do meu pai era o de retirar-se do trabalho árduo aos cinqüenta anos. Ele sempre trabalhara fisicamente muito duro e então queria limitar-se ao trabalho mental. A primeira vez que meu pai tirou férias já estava com cinqüenta anos. Na verdade, as férias eram uma estada no sanatório. Ele foi para lá sem problemas de saúde e voltou três meses depois sofrendo de câncer em estado terminal. Seis a sete meses depois do sanatório tinha falecido. Foi uma época terrível.

Tentamos de tudo, carregamo-lo de médico em médico – sem sucesso. Meu pai sempre repetia: “Vou morrer, vocês não podem impedir isso, por favor, deixem-me morrer”. Mas nós não queríamos aceitar isso. Sempre o obrigamos de experimentar de tudo, aproveitar cada chance. Hoje, olhando para trás, devo dizer que erramos. Teria sido mais humano deixá-lo seguir suas próprias vontades.

 

Quando meu pai morreu, eu tinha dezessete anos e meio e, de repente, passei a ser o homem da casa. A construção da casa ainda não estava concluída, o serviço de sauna ainda não iniciado. Isso significa que terminei a construção da casa com a ajuda da minha mãe e do meu irmão. Aprontamos primeiro a sauna para poder ganhar dinheiro o mais rapidamente possível. A casa de moradia encontrava-se ainda na sua fase estrutural. Economizamos ao extremo e contraímos um mínimo de crédito para manter os custos o mais baixo possível.

Junto com minha mãe toquei então a sauna da melhor maneira possível. Porém, é preciso dizer: “Só dava para cobrir as despesas”. Se eu tivesse trabalhado em outra empresa quarenta horas por semana, isso teria rendido muito mais. Apesar disso conseguimos, no decorrer dos anos, dizimar as dívidas. Mas, trabalhamos sempre com ociosidade. Embora tivéssemos clientes fixos, que conseguimos conquistar na localidade por meio do nosso contato pessoal, a sauna nunca funcionou como um sucesso pleno.

Naquele tempo também me ocupei muito com a economia de energia porque a operação de uma sauna exige um custo energético muito elevado. Eu queria tentar baixar essas despesas com energia. Interessei-me por energia solar e por bombas alternativas de calor. A problemática nisso reside no elevado custo dos investimentos. Para mim tratava-se somente de um jogo de idéias. Não podia empregar esses recursos porque não dispúnhamos dos meios financeiros para tal.

 

Meu tempo de escola primária não teve, na realidade, qualquer importância. Aprendi a ler e escrever. Afinal, trabalhei paralelamente muito na tinturaria de meias, onde pude imediatamente passar para a prática o que tinha aprendido na escola. Sem dúvida, a prática interessava-me muito mais do que a escola. Para mim, a escola era uma necessidade, mas eu estava sempre à frente da matéria de aula, porque a prática contribuiu nessa época mais para minha formação do que a escola.

No ginásio em Maria Enzerdorf encontrei o último professor que incorporava o conceito de “professor”. Ele era diretor ali. Seu nome era Badstöber. Era nosso professor de física e matemática. Isso foi na época quando a educação anti-autoritária passou a ser moda. Portanto, puxar o cabelo ou colocar de castigo no canto da sala de aula era proibido.

Tais medidas garantiam o respeito pelos professores nos alunos, e esse respeito desapareceu de maneira fulminante. Os professores tinham extrema dificuldade de se fazer ouvidos. Antes bastava o abaixar do trinco da porta para os alunos ficarem em silêncio absoluto.

Mas Badstöber continuava a ensinar pelo regime antigo. Era curioso: Ao mesmo tempo ele era temido e adorado. Ele tinha aquela mistura de carícia com chicote e sabia usar esse recurso com extrema eficiência. Ele entrava na sala e de imediato apontava para a esquerda e a direita os alunos que tinham que citar seqüências triplas das tabuadas – cinco segundos para cima, e cinco, para baixo. Quem precisasse de seis segundos, precisava automaticamente ficar depois da aula e aprender o que não tinha sabido. Uma vez sabido, podia-se imediatamente ir para a casa – mesmo depois de apenas cinco minutos. Mas era possível acontecer que alguém tivesse que ficar até duas horas depois do fim da aula. Para mim era sensacional que ele conseguia examinar quatro a cinco alunos ao mesmo tempo e perceber imediatamente quando uma das crianças tinha se enganado. Sabíamos as tabuadas com uma perfeição que hoje não existe mais. Através dele ganhei uma sensibilidade por números quase autônoma.

Mas, como foi dito, nele, a severidade e a doçura andavam de mãos dadas: exercícios duríssimos por uma lado, mas ao mesmo tempo foi ele quem subia uma vez por semana conosco ao castelo de Liechtenstein e nos mostrava onde havia quais árvores, quais plantas lá cresciam e quais animais ali viviam, embora isso não constasse do seu plano de aulas. Eu amava-o como nenhum outro professor, mesmo me dando bem com todos os professores.Fiquei muito sentido quando esse diretor foi chamado para outro lugar no meu último ano escolar. Ele não conseguiu afastar-se do seu ensino autoritário e, por isso, teve que deixar a escola.

Vi depois no Instituto Federal Superior de Ensino e Pesquisas os excessos da educação anti-autoritária. Isso chegou ao extremo com a professora de história, por exemplo, que abandonou a sala de aula sob choro de desespero. Senti muita pena dela. Ela entrava na sala, iniciava a aula, mas ninguém lhe prestava atenção. Mesmo quando implorava “quietos, por favor”, ninguém ficava quieto.

O outro extremo foi nosso professor regente de classe: ele apresentava calmamente seu tema e não dava a menor importância SE ALGUÉM PRESTAVA ATENÇÃO OU NÃO. Não tinha qualquer ambição com relação ao nosso rendimento de aprendizado. Quando, certa vez, ficou especialmente barulhento na sala de aula, ele limitou-se a dizer: “Não preciso ensinar qualquer coisa a vocês. Sou pragmático. Para mim é absolutamente indiferente se aprendem alguma coisa ou não”. Fiquei espantado com seu desinteresse! Sim – para mim foi um choque. Porque senti: estou sentado aqui para nada! O professor não tem o menor interesse de ensinar-me alguma coisa.

Isso significa, se o interesse não parte de mim, então nada pode funcionar. Não posso confiar em que um professor me transmita conhecimento. Preciso – se quiser progredir – adquirir conhecimento por conta própria. Foi essa também a razão, porque não continuei na escola ou freqüentei a universidade. Teria sido inútil, porque se não houver em ambos os lados disposição e interesse para uma troca de conhecimentos, então não há sentido nisso tudo. Então é mais sensato adquirir conhecimentos por conta própria.

Da maneira como o assunto era realmente tratado origina-se também a sociedade dos consumidores, que simplesmente não pensam muito, deixam-se influenciar e não desenvolvem qualquer vontade própria – portanto, “pessoas bitoladas”. Acho que os austríacos são verdadeiras pessoas bitoladas: saindo da escola são colocadas sobre trilhos e então devem deslocar-se sobre esses traçados – dirigidos de cima – até a morte, até o cemitério. Que não olhem muito para a esquerda e a direita! Simplesmente permanecer sobre os trilhos – e pronto!

 

Tive amigos, mas como trabalhava muito na fábrica não me restava muito tempo para as amizades. Havia tempos quando meu pai dizia: “Agora saia uma vez da fábrica! Vá e programe alguma coisa com teus amigos!” Eu seguia então forçosamente suas recomendações durante cerca de quatorze dias, mas em seguida ficava com tédio porque achava todas as suas atividades muito tolas e infantis, e a realidade interessava-me muito mais, e – repentinamente – lá estava eu de volta na firma.

Para meus amigos, aquilo que eu fazia na firma era simplesmente trabalho, e eles viam isso como alguma coisa inoportuna que, embora fosse necessário para ganhar dinheiro, era, de fato, desagradável. Portanto, gastar dinheiro era fantástico para eles, ganhar dinheiro, porém, não. Mas para mim, o fantástico era sempre produzir energia, não desperdiçar ou esbanjá-la.

 

Minha puberdade foi muito difícil. Antes de tudo, naturalmente, também devido ao meu trabalho na fábrica. Eu teria feito muitas coisas de maneira diferente do meu pai. Eu era muito inovador e teria modificado muito mais. Mas meu pai não conseguia isso, porque estava tão enclausurado no cotidiano que não lhe sobrava força, embora eu fosse um colaborador pleno. Ele me aceitava como trabalhador. Também rendi uma parcela importante, porque sem a minha presença teria sido necessário contratar uma pessoa adicional. Mas dos meus desejos e das minhas visões para a firma não tomava conhecimento.

Meus conflitos maiores com meus pais e avós surgiam quando eu lhes perguntava algo sobre o período nazista na Áustria e o tempo depois disso. Já na escola, esse era meu tema predileto, sobre o qual recebia apenas poucas informações, como aquela de que a Áustria foi invadida mediante ataque pelos nazistas e assim merecia o status de vítima, mas hoje representa uma democracia exemplar na qual todo poder deverá partir do povo. Mas quanto mais informações eu recebia do exterior a respeito desse assunto, mais dúvidas surgiam em mim que na Áustria não se informava correta e completamente. Meu pai e ambos os meus avôs atuaram por longos anos no exército nazista. Por mais que me esforçasse no sentido de obter informações, não recebia respostas deles. Com exceção de um caso, quando perguntei a meu pai se ele tinha votado em Hitler nas eleições em Viena. Sua resposta foi abaladora para mim: “Você é um menino tolo que não sabe o que significa sofrer fome, e foi Hitler quem prometeu pão e trabalho, essa foi para mim a única opção e também teria sido para você”.


Capítulo 2

 

O Início da Vida Profissional

 

Concluí o Instituto Federal Superior de Ensino e Pesquisas, na divisão de química técnica, com grande sucesso. Ainda na escola, os professores apresentaram-nos propostas de emprego. Eu tive a oportunidade para começar na fábrica de laca “Rembrantin”, no Distrito Comunal 22 de Viena. Naquela ocasião nem perguntei quanto eu iria ganhar. Depois do primeiro mês constava na minha ficha de pagamento de salário: quatro mil xelins. Ali ficou claro para mim que nem precisava ter freqüentado o Instituto Federal Superior de Ensino e Pesquisas. Teria sido mais inteligente iniciar um aprendizado com quatorze ou quinze anos. Porque, quem tinha começado um aprendizado com quinze anos, naquele momento já estava ganhando dez a quinze mil xelins. Mesmo assim trabalhei por mais um mês no laboratório de lacas e fiz testes de laca. Depois me demiti e trabalhei na fábrica de açúcar de Siegendorf como químico de período operacional e como supervisor de turno.

Lá consegui buscar a prática nas coisas que tinha aprendido teoricamente na escola. A entrevista de recrutamento na fábrica de açúcar com o proprietário da época, o senhor Conrad P., foi especialmente interessante para mim. Eu tinha me candidatado como chefe de laboratório e fui chamado. O senhor P. recebeu-me em sua residência particular e isso vestido de roupão – aparentemente tinha acabado de se levantar. Convidou-me a sentar e me perguntou se gostaria tomar café com ele. Eu disse: “Sim, se isso não lhe causasse transtornos”. Então ele pegou uma xícara, colocou também uma para mim, mas sem colher para mim. Fiquei sem jeito de pedir uma e assim mexi o café simplesmente com minha caneta. Por conseguinte ele disse: “Veja, é esse tipo de pessoas que precisamos na empresa – que são inovadores, que sabem ser práticos. Isso combina. O Senhor está admitido”.

Primeiro me assustei, porque o resultado poderia ter sido o contrário. Mas então entendi porque ele reagira assim. Para o chefe de uma empresa não deve existir coisa mais paralisante do que pessoas que, por qualquer coisinha, perguntam ao chefe, por exemplo, quando falta papel no toalete, de onde devem buscá-lo. O objetivo do chefe é o de conduzir a empresa e responder por ela e realmente não deve preocupar-se com essas miudezas.

Me sentia muito bem na fábrica de açúcar e me entendia muito bem com os colegas. Eu gostava do serviço e ganhava muito bem. Nos três meses do período operacional trabalhava-se nos domingos e feriados. Do dinheiro economizado consegui viver o ano inteiro. Aproveitei os sete meses restantes para suplementar minha formação. Naturalmente trabalhei ao mesmo tempo sempre junto com minha mãe na sauna.

 

Pela primeira vez na minha vida ocupava agora uma posição de chefia. Eu supervisionava de seis a sete mulheres por turno. Portanto, precisava dar-lhes instruções. O trabalho com elas foi excelente. Eram pessoas agradáveis com as quais trabalhava: viticultores da região, que trabalhavam na fábrica de açúcar durante os três meses quando nada havia a fazer na agricultura. Essas pessoas eram muito ligadas entre si, algo realmente incomum para mim. Isso não se referia somente ao trabalho na fábrica, mas elas também se ajudavam mutuamente na construção de casas – sem qualquer remuneração – e com isso ergueram seu vilarejo e sua agricultura. Fiquei muito impressionado com isso.

Outro acontecimento nessa época abriu-me os olhos para como se conseguia influenciar efetivamente as massas com a ajuda da mídia. Na época, tivemos uma colheita muito boa de açúcar, melhor do que jamais tido. E repentinamente, até hoje desconheço o motivo, a mídia veiculou uma escassez de açúcar. Isso levou imediatamente a compras em grandes volumes. Precisávamos entregar durante a noite o triplo do normal. Disso resultou que as prateleiras nos supermercados ficavam com freqüência vazias durante horas e até dias. Naturalmente, todos podiam então dizer: “Não existe açúcar para comprar!”. Mas isso era um pânico artificial e totalmente irreal.

Havia naquele momento – finalmente consegui avaliar isso – certamente mais açúcar do que nos anos anteriores e jamais teria havido uma escassez de açúcar se não tivesse sido inventada. Porque principalmente na economia de açúcar austríaca planeja-se com antecedência e o plantio da beterraba de açúcar é enormemente elevado. Os agricultores produziriam três vezes mais açúcar do que a Áustria necessita, mas nosso açúcar não é vendável em outros paises porque seu preço é cinco vezes mais alto do que o preço no mercado mundial.

“Qual é a razão para isso?” perguntavam-me muitos, e eu lhes respondia: “Para financiar o estado social. Nossos preços precisam ser tão altos para atingir os faturamentos necessários. Todo nosso sistema econômico funciona somente através de faturamento altos. E enquanto esse faturamento for aumentado, o sistema econômico funciona. O preço do mercado mundial para o açúcar situa-se hoje em torno de três xelins, mas na Áustria ele custo entre quatorze e quinze xelins, isso significa que ele estaria excessivamente caro para o mercado mundial. Se, mesmo assim, se desejasse vendê-lo para o exterior, seria preciso promovê-lo economicamente. Por isso produz-se na Áustria apenas a quantidade que possa ser vendida dentro do país.”

 

Portanto, existem estoques suficientes. Na época, meus colegas reagiram com absoluta normalidade. Diziam: “Sabemos que existe açúcar”. E quatro meses depois, o mundo estava novamente em ordem. Mas, a partir desse momento existia uma certeza para mim: o que aconteceu aqui com o açúcar pode ser feito da mesma maneira com outros produtos. Isso pode ser comandado – em qualquer momento em qualquer direção. Pode-se simplesmente movimentar as massas, e a dinâmica que se desenrola no mercado nada tem a haver com a compra ou a venda, e muito menos com o rendimento, mas sim, é pura especulação.

Mas de onde parte essa especulação? A quem ela é útil? Exatamente essas questões levaram-me sempre de volta para a origem da segunda república democrática austríaca. Eu aproveitava meu tempo livre quase exclusivamente com a visita a museus e locais históricos que tinham ligação com o tempo do nazismo na Áustria. Eu dialoguei com centenas de testemunhas vivas que tinham vivenciado o período nazista e preparei volumosos registros a esse respeito. Aos 23 anos, eu tinha colecionado provas suficientes para poder comprovar de maneira inequívoca que a Áustria não podia se apresentar como uma nação libertada da Alemanha hitlerista, mas sim representava parte da agressão nazista contra a comunidade mundial. Porém, somente mais tarde pude reconhecer a causa pela qual se tentava enganar a minha geração sobre isso. Quanto mais me aprofundava na história política da Áustria, tanto mais crescia minha repugnância social contra esse aborto nacional da 2ª república austríaca, na qual tive que crescer.

 

Naquele tempo era um desafio para mim descobrir como esse jogo funcionava, não para participar desse jogo, mas para tirar minhas lições sobre o que é perigoso nisso e porque certas coisas se desenvolvem dessa maneira e não de outra.

 

No entanto, nessa época conheci minha primeira mulher . Antes, meus relacionamentos com moças eram na verdade muito curtos e superficiais – afinal, eu dispunha de pouco tempo para ocupar-me com o sexo oposto. Quando a conheci, eu tinha vinte seis anos e logo uma criança estava a caminho. Eu gostava muito dela, e minha simpatia por ela era muito profunda.

Ela achava que, quando uma criança estava vindo é preciso casar. Para mim foi uma decisão difícil, porque sempre dizia que não iria casar por ainda ser muito jovem. Todos casam jovens para depois se divorciar, isso é uma bobagem. Então refleti: Agora tenho vinte e seis anos, qual é a idade ideal para casar? Eu devia esperar até os trinta ou trinta e seis anos? Será que então já não é muito tarde? A partir dessas reflexões decidi então: “Em ordem, vou me casar”.

 

Quando casamos, ela tinha dezoito anos e tinha acabado de sair da escola para logo ficar grávida. Porém, é preciso dizer: o casamento foi o inferno para mim. Morávamos numa casa pequena que meus sogros nos colocaram à disposição, e minha mulher queria sempre que eu estivesse perto dela, de preferência dia e noite, e sempre conversasse com ela. No entanto, era preciso ganhar dinheiro para nosso sustento, o que ela não conseguia entender: isso foi o inferno! Ela chegava a ponto de trancar as portas de manhã cedo para impedir minha saída e obrigar-me a ficar mais tempo com ela. Muitas vezes tive que sair da casa pela janela apenas para chegar ao trabalho em tempo. Aceitei isso pacientemente durante dez meses, sempre esperando que isso melhorasse.

 

Eu lhe disse na noite do casamento com toda clareza: “Gabi, nosso relacionamento ainda não é ótimo. Certamente há coisas que precisam mudar. Nosso casamento envolve riscos, mas estou disposto a assumi-los. Penso no positivo. Quero investir tudo nesse relacionamento que me for possível para torná-lo o melhor possível. Tenho essa disposição, e é por isso que caso. Mas, se não der certo, por favor, não fique braba, mas então nos separaremos!” E nos 362° dia depois disso ocorreu a separação.

 

Eu amava meu filho como, naquela época, me era possível como pai. Seu nascimento foi um acontecimento especial para mim e eu sabia que agora havia um ser vivo aqui, que eu coloquei neste mundo e precisava cuidar que se desenvolvesse bem e protegido. E comecei a refletir e me preocupar sobre o caminho do seu futuro. Mas co-determinar o mesmo não é tão fácil assim – isso experimentei através do divórcio. Porque nesse caso, o direito da família em vigor não concede ao pai qualquer influência sobre a educação da sua criança. Hoje, sequer posso determinar qual escola meu filho deve freqüentar. O direito da criança ao pai não existe firmado na legislação austríaca da família – o que, na realidade, é uma vergonha para um país que se comprometeu com a democracia.

 

Meu filho tem uma ligação muito forte com sua mãe. Ela é uma pessoa que vive no sofrimento. Ela gosta de sofrer. Meu filho dedica-se muito a ela e em parte precisa substituir um parceiro. Isso, naturalmente, ocupa-o maciçamente. Embora ele tente mantê-la bem humorada, nem sempre o consegue. Para mim, isso se situa no limiar do abuso infantil. Mas na Áustria, nada consigo fazer contra essa situação.

 

Enquanto uma mãe assistir a seu filho, nenhum juiz do mundo dará a tutela ao pai. Isso significa: “Melhor uma mãe ruim do que nenhuma!” Baseado na situação legal, hoje não tenho a possibilidade de saber onde me filho se encontra no caso da mãe querer sair da Áustria e não me informar a esse respeito.

 

Meu filho vem me visitar no Brasil uma ou duas vezes por ano. O curioso é, quando ele vem sente se muito bem durante uma semana e então, repentinamente, tudo se torna tedioso para ele e ele fica inquieto. Ele é como eu: também preciso sempre agitação na minha cabeça, ou seja, jamais agüentaria quatro semanas de sossego.

Lembro-me na minha infância: quando tinha treze anos, estive uma vez com meus pais em Lignano. Só ficar deitado na praia e no sol – eu odiava isso! Por isso lavei gratuitamente as escadas no hotel de treze andares em que estávamos hospedados. Naquele tempo, minha mãe achava isso uma loucura.

Assim, meu filho tem certamente semelhanças comigo. Ele também é muito fechado, retraído, muito sensível, mas muito atencioso, e ele registra apenas o que lhe interessa. Houve coisas especiais que me interessavam, e elas faziam me trabalhar como um maluco. Com todas as outras fazia apenas o necessário.


Capítulo 3

 

A Luta com as Repartições públicas

 

Depois do divórcio, muitas coisas deram errado e outras acabaram. Meu pai faleceu, portanto simplesmente tive que tornar-me autônomo. Eu precisava prover meu próprio sustento, pagar alimentos à minha ex-mulher, e finalmente fechou-se também a sauna. Com isso tive também crescentes contatos com as repartições públicas e ali percebi com clareza coisas que não estavam bem em ordem. Até antão só tive os contatos habituais com serviços públicos, como controle de automóvel ou de trânsito.  

 

Chamou minha atenção, que os funcionários geralmente solicitavam os documentos de carro etc. de cima para baixo, com muita arrogância e em tom de comando. Era o mesmo tom que eu conhecia de filmes sobre o período nazista austríaco. Esse tom nada tinha a ver com o poder do estado democrático, mas era o tom nazista, sempre pronto para a violência. Eu sabia imitar muito bem esse tom e respondia à altura. Também me sentia absolutamente seguro, não tinha antecedências judiciárias, não bebia, era um cidadão ordeiro e sentia orgulho por isso. Para mim era, por isso, ainda mais desagradável ser tratado dessa maneira autoritária. Isso provocava, naturalmente, agressões por parte dos funcionários, que queriam me mostrar que não se podia tratar um “órgão oficial” dessa maneira. Inicialmente não tive na verdade muitos controles de trânsito. Isso escalou somente quando precisamos fechar a sauna. Mas isso trataremos mais tarde!

 

Em razão das constantes construções de casas na nossa família adquiri uma série de habilidade dos ofícios envolvidos. Sabia colocar azulejos, rebocar, assentar tijolos sem jamais ter aprendido profissionalmente. E assim, depois dos três a quatro meses do período do açúcar, sempre tenho trabalhado – também para o nosso corretor de seguros. Já o conhecia desde o tempo da sauna. Ele fazia os seguros da nossa firma, do nosso automóvel, casa, quintal, jardim, diversos objetos. Dessa maneira também conhecia bem nossas condições. Reformei para esse senhor S. sua casa em Bernsdorf. Mantínhamos um relacionamento amigável muito bom e, na verdade, nunca tivemos problemas – até chegar a hora de finalmente pagar um montante devido. Ele sempre me fazia esperar mais um pouco, mas o dinheiro nunca vinha. Entretanto, para deixar a casa pronta faltavam ainda muitas coisas a ser financiados temporariamente, e ele me pediu levantar um crédito. Eu tinha crédito e assim contratei um crédito para ele para financiar materiais de construção.

 

Eu tinha a incumbência de construir e tinha que concluir primeiramente o trabalho e só então haveria o pagamento. Em outros casos, naturalmente nunca me arriscava, mas adiantava no máximo de cinqüenta a cem mil xelins. Então parava de trabalhar e esperava até entrar novamente algum dinheiro. Mas eu queria terminar essa casa e deixá-la em ordem. Por fim, entretanto, o senhor S. estava me devendo quinhentos mil xelins. Sobre esse valor deu-me uma letra de câmbio. Descontei a letra e câmbio no banco e recebi o dinheiro. O assunto estava resolvido para mim até quando o banco me comunicou que a letra de câmbio não tinha sido paga e que o homem estava insolvente.

Assim, o dinheiro foi estornado da nossa conta e a letra de câmbio devolvida. Nesse ínterim, o senhor S. telefonou repetidamente pedindo que esperasse, mas nada mais me restou a não ser protestar a letra de câmbio. Sua reação a isso foi uma pura ameaça: “Se vocês descontarem a letra de câmbio irão se arrepender, porque vai acontecer alguma coisa!” Mas não deixei-me intimidar e entreguei a letra de câmbio ao advogado. Até então, eu tinha um Ford Escort. Esse carro me foi roubado em Salzburg dois meses e meio antes do assunto da letra de câmbio. Eu me encontrava ali na área de exposições, o carro estava no estacionamento, e quando voltei, ele tinha desaparecido. Naquela época – com sempre quando viajávamos ou íamos em férias – tinha feito um seguro total com meu corretor de seguros. Por essa razão, naturalmente apresentei de imediato queixa de roubo em Salzburg. Esperei muito, mas sem ouvir algo tanto da polícia, quanto do seguro.

Dois dias depois da ameaça do meu corretor de seguros, na polícia civil deu entrada uma denúncia anônima segundo a qual eu teria cometido uma fraude de seguro. Portanto, a polícia civil, com quem eu já não vivia em boa paz, abriu um inquérito contra mim. Os controles de trânsito, originalmente raros, tornaram-se cada vez mais freqüentes. Por fim alcancei índices máximos de vinte e oito controles de veículo por mês na localidade. Queixei-me então junto ao comandante distrital. Ele interveio a meu favor e chegou a dirigir-se até a delegacia da polícia civil. Isso fez as coisas ficarem um pouco melhores, mas, em princípio, nada mudou.

Às vezes, isso ficou problemático, porque tínhamos vários carros e acabou acontecendo que deixei minha carteira de habilitação num outro veículo. Mas eles sabiam exatamente que eu possuía uma carteira de habilitação válida, não bebia, e mesmo assim sempre me denunciavam. A essa altura, essas chicanas já não me importavam mais, me defendia contra as denúncias e objetava-as. Meu sucesso nisso crescia, e cerca de metade das denúncias tiverem que ser retiradas. Isso, obviamente, não contribuiu para a harmonização da situação, mas tudo ficou ainda mais agravado.

A polícia civil e eu dificultávamos mutuamente nossas vidas onde isso fosse possível. Por exemplo, eu possuía uma draga de colher, que estava declarada como máquina e construção. Ela estava dotada de uma placa de 10 quilômetros por hora e, portanto, não precisava de placa de identificação e dispensava de registro policial, bastava seu registro como máquina de trabalho auto-movente. Um dia dirigi com esse dispositivo em Pottendorf sobre um cruzamento muito movimentado no qual convergiam três ruas – duas preferenciais e uma secundária. Sai da rua secundária e entrei no cruzamento. Nesse instante vi o policial. Inicialmente, ele não me reconheceu. Portanto, continuei andando, mas nas próximas frações de segundo ele me reconheceu e fez o sinal: “Pare!”. Eu encontrava-me quase no centro do cruzamento e pensei: vou atravessar o cruzamento e então paro depois de dez metros no lado da rua. Mas na próxima fração de segundo ele me sinalizou para parar imediatamente. Reagi imediatamente, travei as quatro rodas e parei no meio do cruzamento. Baixei a pá dianteira e a colher traseira, desci e calmamente perguntei: “O que é?” “Controle de veiculo, mas ali não pode ficar parado!”

Então respondi: “Veja, eu queria parar lá na frente no lado, mas o Senhor me fez parar imediatamente. Agora estou parado ali, e lá ficarei! Até logo! E quando o Senhor estiver pronto, me chame de volta”. Comecei a andar os trezentos metros em direção à nossa casa. Aí, ele já vinha correndo atrás de mim e disse: “O Senhor não pode fazer isso!” Naturalmente surgiu um caos no trânsito. Os carros na via preferencial congestionavam-se e começaram a buzinar. Mas eu disse: “Isso não me importa. O Senhor me disse que eu devia parar aqui, e foi o que fiz!” Discutimos durante um seis a sete minutos, as pessoas desceram dos automóveis e reclamaram. Eu disse: “Não sei o que ele quer de mim. Ele disse que devia parar ali. Agora estou parado aí. Qual é o problema?”

Pode-se imaginar o grau de confusão da situação. O policial ficou muito embaraçado, porque todas as pessoas o enfrentaram e perguntaram: “Porque disse a ele parar ali?” A situação ficou irritante para o policial. Mas eu mantive-me obstinado. Sentei-me de volta na draga e fiquei parado por dez minutos. Então o policial instruiu o corpo de bombeiros para me rebocar. No instante em que ele deu essa ordem ao corpo de bombeiros coloquei-me em movimento e dirigi imediatamente para casa. Quinze minutos depois ele veio na minha casa (isso foi durante os últimos dias antes de fecharmos a sauna e eu estava de serviço) e falou: “O Senhor está preso!” à minha pergunta sobre o motivo ele respondeu: “Resistência contra o poder público!” Eu disse: “Muito bem, o Senhor chame três carro de rádio-patrulha e sete colegas, e eu o acompanharei voluntariamente.” “Não, não precisamos disso, o Senhor me acompanhe!” Então retruquei: “Não, não irei com o Senhor.” Ele então respondeu: “Isso veremos!” segurou meu braço e queria me puxar com ele.

Segurei-me no parapeito. Havia muitas pessoas em volta, nossos clientes de sauna, que riam da situação. Então eu disse: “O Senhor precisa de reforço. Consigo não vou. O Senhor não me deu a razão da detenção. E, além disso, como o Senhor está vendo, estou trabalhando. Irei depois do serviço, mas agora não vejo necessidade.” Ele continuou puxando e se tornando ridículo, para depois ir embora e nunca mais voltar. E jamais se voltou a falar sobre o assunto. O assunto estava resolvido.

Contei essa história apenas para mostrar que eu não tinha amigos na polícia civil. Isso lá é uma turma conjurada. Mas, como já foi dito, esses conflitos começaram muito lentamente com cumprimentos ásperos para então escalar cada vez mais. Isso explica também, porque a polícia civil não tinha qualquer interesse em fazer algo a respeito do meu seguro. Eles engavetaram o assunto e não se importaram com isso.

E então surgiu aquele acontecimento com a letra de câmbio: duas semanas depois de eu ter protestado a letra de câmbio surgiu repentinamente a Polícia Federal de Viena na minha porta e disseram que sabiam onde estava meu carro. Fiquei contente e falei: ”Excelente, então me digam, por favor, onde posso buscá-lo!” Eles disseram que não poderiam, pois eu mesmo sabia onde meu carro estava, porque eu o tinha enterrado. E agora eu tinha que acompanhá-los para lavrar um protocolo.

 

Na delegacia da polícia civil colocaram-me num quarto e mandaram todos os policiais para fora. Só os dois agentes da Polícia Federal ficaram comigo e me interrogaram. Eles afirmaram que tinham uma testemunha que depôs que eu teria cortado e enterrado meu carro. À minha pergunta sobre a identidade do mesmo, disseram que queriam sabê-la de mim. Naturalmente respondi: “Por que razão eu deveria cortar e enterrar meu carro? Poderia vendê-lo. Onde está a vantagem nisso?” Isso seria, nesse caso, desinteressante, disseram eles, o que contava era o fato de que eu o tinha cortado e enterrado.

À minha pergunta sobre onde eu teria cortado e enterrado o carro responderam que isso queriam saber de mim. Respondi: “Os Senhores têm uma denúncia, portanto, aquele que me denunciou deve saber onde o carro está enterrado.” Não, isso eles já sabiam, mas eles precisavam sabê-lo também de mim para torná-lo oficial. Isso continuou assim durante horas. Um agente tinha cerca de cinqüenta e cinco anos e tomava cerveja o tempo todo. Depois de quatro a cinco horas, ele tinha um bafo de álcool, que quase me derrubou. No início, o interrogatório transcorreu sem problemas. Sempre me colocaram as mesmas perguntas e minhas respostas ficavam mais tolas, conforme aumentava a tolice das perguntas. Eu jogava o mesmo jogo com eles como eles comigo. Não os levei nem um pouquinho a sério. Afinal, a situação era grotesca. Eu não tinha feito qualquer coisa e fui acusado da maneira mais absurda possível. Na minha opinião tratou-se de um joguinho com a Policial Federal e a Polícia Civil, que com isso tentaram novamente incriminar-me com alguma coisa construída.

 

Assim continuou. Uma palavra resultava na outra. Eles tornaram-se cada vez mais agressivos. Começaram a pegar em mim e me empurrar. Gritaram repetidamente: “Já sabemos tudo!” Então respondi: “Porque então me perguntam de forma tão tola?” Isso os irritou tanto, que a situação escalou. Bateram em mim, me bofetearam, caí da poltrona e então, deitado num canto da sala, puxei o casaco sobre a cabeça porque não sabia aonde me chutariam. Depois ficaram novamente afáveis durante dez minutos. Ganhei alguma coisa para comer.

 

Depois começou tudo de novo: “O Senhor parece muito agressivo. Precisamos algemar suas mãos atrás da poltrona.” Isso continuou durante doze a quatorze horas. Durante isso, a porta esteve sempre fechada, os policiais civis não podiam entrar na sala, somente esses dois agentes da Polícia Federal. Eles estavam, convictos de que eu teria enterrado o carro em baixo e uma casa por mim construída.

 

Ajudei a erguer de uma casa pré-fabricada. E durante o interrogatório tentei o tempo todo me lembrar quem esteve junto nisso. Porque nessa ocasião, uma porção de pessoas me ajudou. Naturalmente, nada enterrei ali, mas alguém dever ter dado a idéia aos policiais. Eu sabia, portanto, que alguém que estava junto na ocasião colocou-me em conexão com essa casa. Aí também ficou claro para mim, que havia mais alguma coisa atrás dessa história. Porque somente esse conflito com a polícia civil não poderia ser o momento que desencadeasse o tratamento tão duro comigo. Outro choque foi, que até esse momento era para mim absolutamente inimaginável que a polícia austríaca batesse em alguém. Isso já tinha suas raízes na minha educação. Então, a Áustria equivalia sempre ao superpaís. A Áustria está livre, a Áustria é uma república democrática, onde tudo parte da vontade do povo, a Áustria tem uma economia de livre mercado, cada um pode fazer o que desejar, todos têm as mesmas chances. Isso estava gravado na minha mente.

 


Capítulo 4

 

 

O Sujeito Subversivo

 

Evidentemente, a polícia é tua amiga e teu auxílio, e aqui na Áustria existem direito humanos, que são observados e defendidos. E tempos como na passada Segunda Guerra Mundial, quando se maltratava e torturava pessoas, não podem mais existir aqui. Que na Áustria alguém pudesse ser batido e maltratado era simplesmente impensável para mim – portanto, foi um choque. Por outro lado: algumas bofetadas eu mesmo provoquei. Agora eu devia assinar de ter feito alguma coisa que nunca fiz. Não assinei. E por isso tudo continuava sem fim. Eles chamavam-me repetidas vezes de sujeito subversivo, que não respeitava as normas do estado. Naquele momento nem conhecia o significado da palavra “subversivo”. Somente na prisão pude extrair dos autos que eu já era denominado de “sujeito subversivo” desde o ano de 1982, unicamente devido às numerosas queixas que eu tinha apresentado até então contra a polícia de trânsito. Mas também toda a documentação que eu tinha reunido sobre o passado da Áustria, juntamente com o manuscrito para o meu primeiro livro, foi declarada como documentos “subversivos” e confiscada. Os espancamentos ficaram cada vez piores. Finalmente colocaram um saco plástico na minha cabeça. E eles diziam: “Então vamos ver se você vai falar agora.” Minhas mãos estavam algemadas para trás, o saco plástico era colocado de trás na minha cabeça, e exatamente um pouco antes de eu desmaiar era novamente retirado.

 

Eles sabiam com precisão quando era o momento crítico. Sem dúvida, tinham experiência e pensei: “Não é a primeira vez que fazem isso.” Isso me fez ficar extremamente cansado e então chegou o ponto quando disse para mim mesmo: “Não me importa mais, assino tudo que ele querem, apenas quero paz!”

 

O terrível nisso tudo é: se eu tivesse sabido antes que alguma coisa assim era possível, não teriam conseguido que eu assinasse. Teria deixado que me matassem antes. Mas eu estava chocado e isso reforçou o efeito.

Essa experiência só se faz uma vez – na segunda, certamente não mais haveria uma assinatura. Só que eles sabiam exatamente o que estavam fazendo. Com a assinatura, o caso teve andamento. Então eu podia falar. Podia apresentar as provas que quisesse. Eu estava preso à confissão assinada. Nem sequer a li. Em seguida fui transferido para Viena para a prisão da Polícia. Lá passei uma noite.

No dia seguinte levaram-me novamente para Ebereichsdorf e ali pude então ler o que havia assinado no dia anterior. Só que a cena ali era bem diferente: os agentes da Polícia Federal apresentaram triunfantes minha confissão assinada aos policiais civis, dizendo que tinham conseguido que o criminoso e fraudador de seguro fizesse uma confissão. E deixaram-se festejar por essa confissão. Finalmente também a li. Era efetivamente absurda. Já mesmo antes de assinar tentei sempre, apesar da minha fraqueza, formulá-la de tal maneira, que um juiz experiente imediatamente soubesse, que um disparate dessa natureza só poderia surgir sob pressão. Então, os agentes da Polícia Federal disseram: “O Senhor está preso”. Nesse momento ficou claro para mim que eu precisava de ajuda. E assim falei: “Quero conversar com meu advogado. Não digo mais uma palavra sem meu advogado. Todo o resto não me interessa”. Os agentes da Polícia Federal retrucaram: “Não estamos em Miami. Isso não existe.”

Então me levaram para a prisão preventiva de Viena Neustadt. Pela primeira vez na minha vida tive que tirar toda a roupa, mas ali fui tratado, embora fosse um prisioneiro, com respeito, não de maneira afável, nem com brutalidade, mas com respeito. Isso estava em contraste com o tratamento recebido pela Polícia Federal e a Polícia Civil. Na cela fiquei então esperando que o juiz de instrução criminal me interrogasse. Isso deveria ter acontecido dentro de quarenta e oito horas.

 

O juiz de instrução criminal apareceu somente no terceiro dia e me perguntou o que eu tinha a dizer a respeito das acusações. Comuniquei a ele, que tudo isso era bobagem e expliquei o que tinha acontecido, na esperança de que ele dissesse: “Incompreensível, isso não existe! Precisamos tomar providências”. Mas não disse. Ele aceitou isso como a coisa mais natural do mundo. Aí já fiquei cético. Nem mexeu a sobrancelha quando lhe contei o episódio do saco de nylon. Ele apenas perguntou: “O Senhor quer lavrar um protocolo de tudo isso? O Senhor quer fazer uma denúncia?” Na prática, tudo isso soava como: o senhor quer me causar ainda mais trabalho; isso não traz qualquer resultado, só piora para o senhor. Eu disse então: “Não, deixemos assim, vamos esquecer isso”. Então ele repetiu: “O que o Senhor tem a dizer sobre as acusações?” Respondi: “Eu fui colocado sob pressão, a denúncia carece de qualquer fundamento. Não enterrei qualquer automóvel, nada tenho a ver com isso!” Mas ele falou: “Nada posso fazer. Sua confissão existe, ela está assinada e acredito nela”.

 

E aí ficou claro para mim, que ele não tinha qualquer interesse na verdade. Para ele, o assunto nada mais era do que um ato incômodo, que devia ser resolvido rapidamente. Eu não lhe era simpático – e nem ele a mim. E assim, simplesmente fiquei preso. Na prisão me disseram então: “O Senhor tem direito a um advogado, isso é absolutamente claro. Veremos o que podemos fazer”. Tudo isso, porque na prisão preventiva nada se pode determinar. Pode-se fazer requerimentos ao juiz de instrução criminal, mas o regime de execução de pena na Áustria prevê que, em caso de risco de obscurecimento pelo preso preventivo, o contato com o advogado – ou seu representante ou conhecido – lhe seja negado por um prazo de até dois meses no caso extremo. E o juiz de instrução criminal para o meu caso deixou-me cozinhar por aproximadamente seis semanas. Afinal, o caso não estava esclarecido. Mas se eu tivesse assinado a confissão mais um a vez na frente do juiz de instrução criminal, poderia ter ido para casa no dia seguinte. O juiz teria me liberado imediatamente. Eu tinha boa reputação, não tinha antecedente criminal e a suspeita era somente: tentativa de fraude de seguro.

O juiz de instrução criminal visitou-me três vezes na prisão, querendo que eu assinasse a confissão mais uma vez à sua frente. Porém, sempre me recusei a isso. Afinal, não quero ser condenado por alguma coisa que não aconteceu. Eu sabia que as acusações eram falsas, mas ainda não conseguia enxergar quem estava de fato atrás de tudo isso. As últimas palavras do juiz de instrução criminal foram: “O Senhor ainda vai admirar-se quanto tempo essa prisão preventiva irá demorar para o Senhor, de tipos subversivos como o Senhor não precisamos aqui”.

 


Capítulo 5

 

Prisão Preventiva – Período de Amadurecimento

 

As primeiras seis semanas na prisão preventiva em Viena Neustadt foram uma catástrofe para mim. Para mim, esse mundo austríaco desmoronou. Que vergonha! Antes, eu não poderia imaginar isso. Minha vida tinha sido totalmente íntegra até esse momento. Eu não queria fazer nada de errado, sempre dar o melhor! A possibilidade de acabar numa prisão era para mim quase tão absurda como a imaginação de voar para a lua. Eu tinha a consciência limpa, trabalhava somente para ganhar dinheiro para ter uma vida confortável. Essa era minha filosofia. Se tivesse passado por privações, teria aumentado a intensidade do meu trabalho. O trabalho proporcionava-me alegria, vontade e bom humor, e sempre sentia um forte impulso em direção à produtividade – e agora estava na prisão. No momento, esse era meu mundo. Eu pensava: o que pensa minha ex-mulher, o que pensa meu filho, e o que pensa minha mãe, meus irmãos, como foram atingidos por isso? Naquele momento ainda desconhecia, que até os jornais já tinham noticiado meu caso.

O “Kurier” inclusive escreve no dia da minha prisão: “Fraudador foi preso”. Tudo indica, que os agentes da Polícia Federal venderam a história. Eles escreveram “fraudador”, embora só pudessem ter feito isso depois da minha condenação legal. Mas eu nada sabia sobre isso e não podia reagir a respeito. Naquela época, a prescrição para delitos de imprensa era de apenas três semanas. Eles evidentemente sabiam, que eu não tinha qualquer possibilidade de receber o jornal e assim não haveria qualquer denúncia. Da mesma forma, meus parentes nada podiam fazer contra isso porque não sabiam o que tinha acontecido. Nem sequer podiam me mandar um advogado, porque esse não teria tido acesso a mim. Em todos os casos, para mim foi uma situação catastrófica.

 

Eu estava preso numa cela com quatro outras pessoas, entre austríacos e estrangeiros. Eles nem conheciam meu caso, apenas trocávamos experiências. De qualquer maneira não se consegue concentrar em alguma coisa. Um único pensamento ocupa sua mente ininterruptamente: Porque cheguei nessa situação. Sente-se ódio e raiva, principalmente quando se trata de uma injustiça. Tem-se realmente vinte e quatro horas por dia para se perguntar porque tudo isso aconteceu.

 

Pelo fato de ter sempre dependido de mim mesmo na minha vida, não percebi o fato de estar preso como algo tão terrível. Eu sabia, que não seria morto e que teria comida, e isso foi tranqüilizador para mim. Uma catástrofe para mim foi a vergonha que eu tinha trazido para minha família, para meus filhos que tinham que dizer: “Meu pai é um criminoso e está na prisão!”

 

Só se tem duas possibilidades: dar vazão a sua raiva ou dominar suas emoções. Graças a Deus consegui dominar-las. Mas não alcancei isso em seis semanas – foram precisos cerca de seis meses. Eu fui preso e fiquei cada vez mais fraco. Meu corpo ficou mais fraco, a vontade ficou mais fraca, minha atitude perante os fatos ficou abalada, e então chegou o ponto quando reconheci, que apesar disso tudo tinha razão, que minha atitude original era realmente a certa.

 

Então fiquei forte. Depois de quatro, cinco meses tive uma força mental como jamais tinha experimentado antes. De repente ficava com a pele arrepiada com meus próprios pensamentos. Para mim, isso foi uma dimensão mental que eu jamais tinha achado ser possível. Repentinamente consegui compreender os sentimentos quando pessoas eram colocadas arbitrariamente em prisões durante regimes ditatoriais. Eu podia perceber como eles devem ter se sentido, o que devem ter pensado.

Alguém, que nunca esteve numa situação dessas, jamais experimentará esse sentimento. Comecei então a analisar como pessoas podem causar esses sofrimentos em outras, mas também, como é possível suportar essas coisas. Eu, por exemplo, li na prisão o “Arquipélago Gulag” de Soljenizyn. Ele esteve durante onze anos num campo de trabalho, e escreve a esse respeito que não gostaria de prescindir de um único dia desses onze anos. Minha primeira impressão foi: Ele deve ter estado doente! Então estudei bem o livro e finalmente ele acabou se tornando uma bíblia para mim. Aprendi que na realidade as pessoas não podem ser ensinadas por outras. Você mesmo precisa viver suas experiências. Você precisa passar pelo inferno para alcançar o paraíso. Por um lado ele descreve a arbitrariedade do sistema e por outro o sentimento humano que com isso se desenvolve e como surgiu sua força.

 

No quinto, sexto mês surgiu também dentro de mim uma força – incrível. Eu jamais pensaria que uma pessoa conseguiria ficar mentalmente tão flexível, e com uma visão tão profunda como também tão longe, e com tanta clareza. Nos primeiros seis meses eu estava coberto com emoções. Depois as empurrei para o lado e apenas sobraram o conflito e as perguntas: Porque isso é assim, porque precisa ser assim, porque permitem que seja assim?

 

O resultado foi, que nada tinha mudado para mim, que o passado é o presente, e o presente, o futuro. E isso foi inicialmente assustador para mim, porém depois de seis meses não tinha a menor importância. Não tinha mais o sentimento: Preciso sair daqui! Eu me sentia otimamente bem. Hoje eu diria: um hotel de cinco estrelas tem menos a oferecer que a prisão. Você não precisa nem abrir e fechar as portas, outros as abrem e as fecham. A comida é boa e bastante. Num hotel de cinco estrelas, o regulamento da casa é mais comprido do que numa prisão.

Tínhamos um chefe de andar. Era um homem pequeno, muito correto. Sempre me sentia bem na sua companhia. O tratamento era quase o do meu professor de matemática: severo – doçura com chicote – mas de nenhuma maneira desumano. A Polícia Civil, a Polícia Federal e a ignorância dos juizes – isso é desumano. O tratamento na prisão, porém, é humano.

A atmosfera é fantástica. Penoso é somente quando as pessoas ficam cegamente agressivas. Mas quando se está numa cela com pessoas, que possuem um nível calmo e normal, tem-se a impressão de estar junto numa clausura. Não existe obrigação, quem lava a louça ou limpa o toalete, a gente sente prazer em fazer isso para os outros. Muitos, naturalmente, perdem o controle, mas quem domina a situação na cabeça pode com isso ficar mais maduro. Naturalmente são muito poucos, isso é evidente. Distanciei-me totalmente do mundo exterior. Isso chegou ao ponto, de eu não querer mais receber visitas. Eu já ficava nervoso se a porta se abria três vezes num dia, isso era demais para mim.

Eu queria calma e percebi que essa só se alcançava pela distância do cotidiano. Por isso deixei tudo de lado. O juiz de instrução criminal disse, por exemplo: “Ainda precisamos fazer o protocolo”. Eu respondi: “Não se preocupe, tenha um bom fim de semana e volte na segunda-feira, nenhum problema”. Ninguém entendeu isso. Como ele ama de repente a prisão? E não havia como explicar isso. Todos eles achavam que eu estava simulando uma situação para eles. Mas realmente aproveitei, principalmente os meses restantes. No sétimo mês sabia por pura intuição que seria libertado no décimo primeiro mês. Eu cultivei minha intuição, e da seguinte maneira: deitava-me sobre a cama e me concentrava – nos meus dedos, meus pés, minha pele, em cada centímetro do meu corpo. Tentei passar pelo meu corpo como com um olho interior. Para isso, nunca teria tido tempo lá fora. Assim conheci meu corpo. Simplesmente o que, por exemplo, a respiração consegue realizar no corpo, quais funções podem desligar, e quais ligar! Nunca tinha lido antes alguma coisa a esse respeito. O que naquele tempo experimentei por força própria, leio hoje freqüentemente em livros especiais.  

Então, no sétimo mês chamou minha atenção, que eu tinha desenvolvido uma força mental muito particular. Tínhamos cartas de baralho, dez vermelhas e dez pretas. Jogávamos e percebi que de repente conseguia reconhecer cartas sem tê-las visto. Intuitivamente, não porque um canto tinha sido rasgado fora ou outra coisa. Eu simplesmente sabia. Ao pegar a carta eu sabia qual carta era sem tê-la olhado. Então fiz com um companheiro de cela, que tinha aproximadamente o mesmo nível que eu, experiências bem definidas. Ele devia reconhecer vermelho ou preto. Eu concentrava-me na pilha que estava à sua frente e meu melhor resultado conseguido foram dezenove acertos em vinte cartas. Isso é uma probabilidade matemática que fica mais alta que uma sena a cada ano.

 

Tenho essa capacidade ainda hoje, mas ela foi novamente reprimida. Pelas impressões externas e as emoções que me tocam, uma capacidade dessa regride naturalmente. Mas ela está presente e posso aumentá-la a qualquer momento. Eu harmonizava muito bem com um dos companheiros de cela. Conseguimos nos comunicar diversas coisas através de telepatia, sem jamais ter falado sobre elas anteriormente. No sexto mês da minha prisão preventiva me perguntei então: “Quanto tempo preciso ainda ficar aqui? E de repente sabia: a resposta estava de alguma maneira relacionado ao número onze – onze dias, ou onze anos, ou onze meses. À pergunta, quando eu ia embora sempre surgiu o número onze. E estava certo: eu deveria ser libertado depois de onze meses e onze dias da prisão preventiva. Mas ainda não tinha chegado esse momento.

 

Depois de sete meses na prisão, a denúncia completa estava pronta. Então, o juiz de instrução criminal voltou e me perguntou novamente: “O Senhor tem alguma coisa a dizer, a complementar?” “Não, nada.” “Então fica tudo assim, tudo está em ordem.” E então ele disse alguma coisa sobre a qual naturalmente não existe protocolo por escrito: “Eu digo ao Senhor, tudo isso é uma tolice. Sou a favor que o Senhor vá embora e esqueçamos tudo”. Mas eu respondi-lhe: “Não posso esquecer!” “Sim, mas então vai demorar muito”, opinou ele. “Sim, pode ser, estou nas suas mãos.” Foi o momento quando ele disse: “Ai, assine – já ficaste preso 7 meses por nada – e pronto!”

Portanto, se eu tivesse concordado que não se prosseguisse e não se aprofundasse mais, provavelmente todo esse caso teria desaparecido como se nada tivesse acontecido. Onde não existe acusador, não há juiz. “Não!”, eu disse, “quero ir até o fim!” Eu estava absolutamente seguro que estava no meu direito, e não tinha feito qualquer coisa de errado. Porque devia humilhar-me agora? Então todos diriam: deve ter havido alguma coisa, só não deu para provar. Mas eu tinha certeza que poderia provar que não foi assim, e por isso eu queria levar tudo até o fim. Minha opinião sempre foi: nunca serei preso. Agora já estava na prisão. Mesmo que tivesse sido libertado depois de sete meses, a impressão seria a mesma como se fosse libertado depois de três anos. E depois de sete meses, eu teria que me perguntar: porque foste libertado? Não, eu queria ficar e agüentar a coisa até o fim. Mas o juiz de instrução criminal queria apenas se livrar do assunto. Ele disse, que delegaria a causa para Salzburg, ele não seria competente. O carro teria sido roubado em Salzburg, portanto, Salzburg seria competente. Assim fui mandado três vezes para cá e para lá entre Salzburg e Viena Neustadt. Uma viagem levava sempre uma semana – assim conheci naturalmente uma porção de outros prisioneiros.

 

Os oficiais de justiça são os mais coitados! No quarto mês tive realmente pena dessas pessoas. Eles precisam servir-nos, abrir e fechar as portas. Eu sentia a verdadeira necessidade de tratá-los com amabilidade e cordialidade, de maneira que às vezes achavam que eu estava zombando deles. Mas foi verdadeiramente uma necessidade interna que me proporcionava alegria. Afinal, eu também recebia muita ajuda dessas pessoas.

Lembro-me de um acontecimento que realmente me tocou: eu devia ser buscado pela polícia para um novo acordo e nessa ocasião percebi que os funcionários da guarda de justiça realmente nos protegiam como algo muito precioso. A policia civil e a policia federal tinham que entregar suas armas, não podia haver abusos. Quando os funcionários escutavam apenas uma palavra mais alta estavam imediatamente presentes e perguntavam “o que está acontecendo”. Não existe coisa mais bonita – num hotel de cinco estrelas, a proteção e o serviço não são tão bons. Eu tinha um chefe de andar com o qual nunca falei, mas sentia na cabeça o que ele pensava. Era um homem pequeno, mas ele percebeu o conflito dentro de mim, o conflito baseado na minha inocência. Ele estava sentado no centro do início do longo corredor, e por lá eu tinha que passar para ir até os agentes da Polícia Federal. Portanto, passei à frente da porta e, de repente, ele gritou: “Rydl, se você não quiser ser conduzido para fora, pode recusar a saída!” Isso bastou. Dei meia volta e retornei para a cela. Também não conversei ou discuti com ele sobre isso, tratava-se simplesmente de um entendimento entre duas pessoas – num plano puramente mental. Ele sabia instintivamente que eu não dispunha dessa informação, do contrário teria permanecido na cela. Também posteriormente nunca falou comigo, mas eu percebi por esse acontecimento que existem pessoas, que nesse sistema realmente não se tornam indiferentes e insensíveis.

Ele certamente não era contra os agentes da Polícia Federal e seu trabalho, porém, simplesmente sentiu sua obrigação de me dar uma informação no momento certo, já que a decisão dependia de mim de qualquer maneira. É isso que entendo como “enriquecer a vida”. Obviamente, esse homem deu-me uma imensa coragem. Agora, eles praticamente não me podiam mais tirar da prisão preventiva e me forçar a fazer uma confissão. Eu encontrava-me sob a proteção do chefe do andar. Mas então o juiz de instrução criminal tentou transferir o caso para Salzburg. Ali fui apresentado a um outro juiz de instrução criminal e nessa ocasião percebi muito claramente a diferente leste-oeste, já pelo tom reinante nas discussões comigo. O juiz disse: “Cumprimento o Senhor, Senhor Rydl, li seus autos, mas não sei o que o Senhor está fazendo aqui, o Senhor não foi preso em Salzburg – não seremos nós que vamos pagar o pato”. “Muito bem”, falei, “me coloque em liberdade!” A resposta: “Não posso fazer isso! O Senhor foi preso por Viena Neustadt, eu não posso libertá-lo, o Senhor precisa voltar!” Portanto, na semana seguinte estava de volta. O juiz de instrução criminal em Viena Neustadt não sabia o que fazer: “Não sei porque o Senhor está aqui. Vamos resolver isso agora através do Tribunal Superior”. O Tribunal Superior determinou: Salzburg precisa tratar do assunto! Isso levou quatro semanas. Por quatro semanas fiquei preso em Salzburg e então Salzburg recusou novamente. Novamente retornei para Viena Neustadt. Finalmente, o Supremo Tribunal em Viena decidiu que Viena Neustadt seria competente. Novamente surgiu uma discussão sobre a prisão preventiva.

Eu queria recusar o juiz de instrução criminal de Viena Neustadt e escrevi-lhe cartas hostis. Esclareci a ele minhas opiniões sobre a Áustria, que a Áustria continuava a representar o centro da inteligência nazista e que ele seria um verdadeiro nazista por me recusar com parcialidade preconceituosa, mas ele não viu inconveniências e as discussões foram realizadas. Devo confessar que o juiz tinha estudado muito bem meus autos, que já tinham mais de mil páginas. Primeiro tentei desmentir minha confissão para sair da prisão preventiva. Mas ele recusou isso: “A confissão está certa, o Senhor não sai, o Senhor fica!”

Mas eu sabia que jamais deveria ficar em prisão preventiva por um delito dessa natureza: não houve feridos, não houve lesados, conforme o libelo tratava-se apenas de tentativa de fraude, e a companhia de seguro não pagou um centavo sequer até hoje, mas eu tinha que continuar preso. Depois tentei sair da prisão preventiva mediante uma confissão de que eu tinha enterrado o automóvel, para então poder provar nos debates judiciais em plenário que isso não teria sido possível. Isso foi uma solução de emergência para mim. Fiz a tentativa, mas ela foi novamente recusada. Eu tinha estudado inúmeros códigos e livros jurídicos, conhecia a legislação penal e o código penal quase de memória, tudo em vão. Não consegui sair da prisão preventiva, por mais conhecimento eu tivesse e mesmo tentando realmente muitas coisas.

 

 


Capítulo 6

 

A Primeira Perseguição Política

 

Tendo, depois de sete meses de prisão preventiva, ficado claro que a acusação contra mim tinha que ser apresentada por Viena Neustadt, em junho de 1986 foi fixada a data para debates judiciais, que logo foi adiada.

Nos debates judiciais seguintes em agosto surgiram coisas extremamente curiosas, por exemplo, que o automóvel devia estar enterrado dois metros abaixo das fundações de uma casa por mim construída. Eu disse então ao juiz: “Então podemos verificar isso imediatamente. Vamos perguntar ao proprietário se há um automóvel no seu porão”. Os agentes da Polícia Federal, que extorquiram minha confissão estavam também sentados no tribunal e ouviram isso. O juiz olhou para os agentes da Polícia Federal, porque ninguém sabia algo sobre a existência do porão. Eu disse: “Sei que lá existe uma casa pré-fabricada sobre um porão. Existe um porão! Mas não existia licença para o mesmo”.

Portanto, os agentes buscaram simplesmente as plantas, nas quais naturalmente não constava o desenho do porão, e afirmaram que a casa estava construído sobre o automóvel, e precisamente dois metros e meio em baixo da sala de estar. Eles simplesmente fizeram essa afirmação porque sabiam exatamente, que o juiz jamais concordaria em derrubar a casa. Finalmente perguntou-se ao proprietário da casa, e esse assegurou: “No meu porão não existe um automóvel!” O juiz simplesmente tomou conhecimento disso sem qualquer reação.

Para ele, o depoimento não tinha qualquer importância. Nesse momento percebi pela primeira vez, que eu o tinha atingido pessoalmente com minha afirmação de que ele era um nazista. Estava provado o que eu pensava, isso é, que na Áustria se é perseguido pela sua opinião, de que na Áustria, a inteligência nazista não apenas sobreviveu, mas também o estado de direito democrático continuava sendo ativamente oprimido na Áustria pela mesma.

Finalmente, também a testemunha K. H. deveria depor nessa audiência, que afirmara que tinha, por minha ordem, cortado o automóvel e enterrado em baixo da casa durante a construção. Quando ouvi o nome Karl H., tudo se esclareceu de maneira fulminante: K> H. era um bom amigo de escola do senhor S., meu antigo corretor de seguros, e, além disso, era um criminoso. Perguntei imediatamente ao juiz: “K. H. não está em liberdade condicional? Ele teve uma briga, em que houve feridos, na discoteca de Plottendorf (aliás, dois meses antes do meu automóvel ser roubado) e deveria estar detido, cumprindo pena de prisão de três anos depois dessa briga e devido à sua pena condicional em regime aberto. Porque ele não está preso? Porque está livre?”

O juiz nada sabia a esse respeito e também não conseguiu encontrar qualquer denúncia. Na verdade, nem existia denúncia na Polícia Civil de Plottendorf sobre essa briga na discoteca, embora ele ali tenha quebrado um copo com o qual cortou todo o rosto de uma pessoa. Tudo foi abafado. Evidentemente, o trato com a polícia foi esse: nenhuma denúncia – essa desaparece – em troca vocês nos trazem o Rydl! E o senhor S. foi articulador de tudo isso. Ele fez pressão sobre seu amigo de escola Karl H. e deu-lhe dinheiro. K. H. era alcoólatra, e bastava pouco dinheiro para subornar-lo. Porém, o juiz aceitou a história de Karl H. e ela formou a base para minha condenação. Aliás, o carro nunca foi encontrado, naturalmente também não se cavou em baixo da casa.

Nos anos seguintes fiz diversos requerimentos no sentido da comprovação da minha condenação sem culpa. Todos foram indeferidos.

 

Analisei a pessoa do juiz que me condenou. Ele deve ter nascido por volta do ano de 1930. Portanto vivenciou conscientemente os anos de glória do período nazista na Áustria e provavelmente não precisou prestar serviço militar. Com cerca de 15 anos de idade presencia a decadência da Áustria, pobreza e fome. E exatamente àqueles austríacos, que se sentiam como “nazistas mestres” e cultivavam seu “führer” como “conquistador da Alemanha”, cabia moralmente a maior culpa pela Segunda Guerra Mundial perdida. Mas, de repente, surgiu aparentemente do nada a notícia, que para a Áustria existia a possibilidade de ser visto pelas tropas aliadas como “nação libertada”. O status de “nação libertada” admitia a conclusão de não ser responsabilizada por essa guerra na mesma medida que a Alemanha na qualidade de agressor declarado, mas também poder esperar uma punição menor e mais suprimentos de ajuda humana. Aproveitar essa chance deve, na época, ter passado como um raio pelas cabeças dos austríacos. Os 99% de austríacos, que tinham eleito Hitler e dançavam em suas festas, tornaram-se do dia para noite “auto-difamadores”, que nunca tinham apoiado ativa ou passivamente o regime de Hitler e naturalmente precisavam perseguir de forma reflexiva todos os outros que indicavam como “nazistas”. Como pessoa humana já tinha perdoado ao meu juiz vinte e quatro horas depois da minha condenação.

 


Capítulo 7

 

A Vida depois da Prisão

 

Eu tinha dívidas decorrentes da causa de crédito do senhor S. que precisavam ser pagas. Tentei autuar o senhor S. por instrumentos de direito civil. Resultou daí uma audiência. Com juros e juros compostos, eu teria direito a 1,4 milhões de xelins, mas o senhor S. questionou a letra de câmbio, porque os serviços prestados foram, segundo suas alegações, insuficientes e de má qualidade. Eu teria necessitado de um parecer de perito, e ter que pagar por isso, para provar, que tudo isso não correspondia à verdade, mas isso teria me custado meio milhão de xelins, que eu não tinha. Portanto, depois da terceira ou quarta audiência chegou-se a um acordo: o senhor S. teve que pagar meu advogado e eu desisti dos meus direitos restantes, porque, na situação de então, não teria tido condições para sustentar um processo mais demorado.

 

Quando inicialmente descobri, que era esse homem que em larga escala contribuiu para a minha situação, odiei-o como a peste. No meu tempo de prisão percebi, que na vida tudo retorna, mesmo as coisas mais escondidas e secretas, como também as assim chamadas coisas perfeitas. O que se faz de negativo, volta, isso é inevitável – essa é a minha convicção e por isso me libertei de todas as coisas. Perdoei-o, mas sei que hoje está indo muito mal. Naturalmente reencontrei também os agentes da Polícia Federal, que em todo esse assunto também tiveram sua influência. Eles estavam com um expressão de satisfação como querendo dizer: “Mostramos para ele quem manda aqui!” Mas, para as outras pessoas que conhecia, nada mudou, fossem eles diretores de banco ou pessoas comuns. Todos estavam do meu lado, porque cada um sentia, que havia alguma coisa errada em toda essa história.

 

Em virtude da prisão ganhei muito em sensibilidade. Pode ser, que a pessoa entre em desespero por causa da prisão e não consiga resolvê-la mentalmente, e então se grita apenas o terror para fora. Para essas pessoas não há ajuda. Elas fazem isso a vida inteira e, naturalmente, sempre voltam à prisão. Eu consegui superá-la, e por causa dela, meus sentidos ficaram mais aguçados. Isso teve para mim conseqüências muito nítidas: quando, antes da prisão, ia a uma discoteca encontrava nisso uma diversão e dançava, mas depois de tudo isso tornou-se um martírio. Durante a prisão acostumei-me à calma, e esses ruídos altos e estridentes me levavam à beira da loucura. Mesmo a agitação normal do cotidiano ficou um choque para mim, porque, durante o tempo da prisão, tudo ficou mais lento para mim. Também falava mais devagar, isso chamou a atenção das pessoas da minha convivência, eu escolhia com precisão e refletia sobre cada palavra.

 

Nos primeiro dois anos, 87 – 89, trabalhei totalmente sozinho na firma de construção, só de vez em quando fazia uso de um auxiliar. Mas a coisa desenvolveu-se tão bem, que, com freqüência cada vez maior, veio a pergunta se não queria construir casas completas, o que significa que o cliente não precisa preocupar-se com qualquer coisa, a casa é entregue completa. Eu, naturalmente, não tinha licença para tal, por isso fundei em 1989 a firma Fink Ges.mb.H. Ali eu tinha um mestre construtor como concessionário, mas logo começaram a aparecer problemas com as repartições públicas.

 

Já no primeiro ano tive encomendas de construção num valor de cinqüenta milhões de xelins. Mas para isso, eu necessitava de quarenta a cinqüenta empregados. Para mim estava absolutamente claro, que isso não poderia ser algum problema. Existem milhares de desempregados no ramo da construção civil, especialmente no inverno, e se a gente registrá-los legalmente, as coisas deveriam funcionar. Portanto escrevi já em janeiro às repartições de trabalho de Neukirchen até Viena. A firma Fink Ges.m.b.H. necessita de tantos auxiliares, tantos pedreiros, tantos contramestres e assim por diante. Os requisitos: que não fossem alcoólatras e, se possível, não fumassem. Essas eram minhas condições. O resultado: Os trabalhos deveriam começar no dia quinze de abril, mas em 13 de abril eu não tinha um empregado sequer.

 

A repartição de trabalho mandou alguns. Eles entraram pela porta dizendo: “Só preciso me apresentar. Basta o Senhor me dar um carimbo, e já vou”. Portanto, eles queriam somente uma comprovação de que tinham se apresentado e assim a repartição de trabalho deixava-os em paz. Fiquei chocado com isso.

Assim tive que reconhecer, que essa taxa de desemprego de quatro ou cinco por cento, que temos, não provém de efetivos desempregados, mas de pessoas sem vontade para trabalhar. Depois disso li muito, me informei e descobri que, por exemplo, na Alemanha, esse fenômeno já era observado a mais tempo. Entre três e cinco por cento da população não tem vontade para trabalhar, e esses estão dentro do conjunto dos desempregados.

Dirigi-me à repartição de trabalho e disse: “Que tipo de pessoas os Senhores estão me mandando? Eles não correspondem ao meu perfil de condições, eles nem querem trabalhar!” A resposta que recebi: “Isso é responsabilidade coletiva. Se existe um entre eles, que não quer trabalhar, não se pode afirmar que todos sejam assim”. Fiquei muito irado, porque essas pessoas são pagas para nada fazer e ainda especulam propositadamente com isso. Eu, por exemplo, quando trabalhava na fábrica de açúcar, podia ser recebido, sem problema, a cada ano durante sete meses salário de desemprego. Mas jamais teria tido essa idéia. Nunca poderia ter defendido moralmente o fato de receber propositadamente durante sete meses por não trabalhar. E agora precisei reconhecer, que isso era uma prática absolutamente normal.

Paga-se, portanto, impostos para um sistema danoso, no qual ócio se torna propósito, e para pessoas que não têm qualquer interesse em algum progresso ou desenvolvimento. Isso me deixou com muita raiva. Quando finalmente encontrava pelo menos alguns empregados austríacos, na segunda-feira, às 7 horas, era um horror para mim. Eu já ficava preocupado no domingo de noite: quem vai faltar amanhã? Havia momentos de pico com cinqüenta empregados, e não passava uma segunda-feira em que todos estivessem presentes. A maioria não vinha por embriaguez – problemas com álcool eram o maior empecilho. Eles bebiam no domingo, e na segunda-feira não podiam trabalhar. Contar com eles, só na terça-feira ao meio dia.  Mas dessa maneira não se consegue manter uma empresa, portanto havia comigo rigorosa proibição de álcool na construção, uma garrafa de cerveja, e toda a equipe de construção estava demitida. Eu sempre dizia claramente o que esperava. Fumar ainda era tolerado. Porque também os fumantes gastam tempo de trabalho para o fumar, e esse tempo é irrecuperável.

Eu trabalhava, portanto, muito em busca de resultados. Uma meta planejada devia ser atingida num determinado espaço de tempo, e com isso tudo funcionaria maravilhosamente. Mas eu vi, que dessa maneira não iria avançar e tive a idéia de fundar uma empresa na Hungria, mais precisamente uma agência de mão-de-obra. Eu mesmo era diretor, coloquei ali anúncios no jornal com o conteúdo: procuro para intermediação de mão-de-obra para a Áustria colaboradores aptos através de uma empresa húngara. A empresa húngara registrou todos os trabalhadores na Hungria e eles estavam segurados ali, e de segunda a sexta-feira foram arrendados para a firma austríaca com contratos de locação de trabalho.

 

 Eu era empregador, queria oferecer trabalho, mas esse nenhum austríaco queria. Com os húngaros, por outro lado, não tive qualquer problema: eles eram pontuais e nos anos de 1989 até 1991 consegui construir com essas pessoas numerosas casas seriadas sem quaisquer atritos. Com um faturamento entre trinta e cinqüenta milhões de xelins por ano. Mas também fiz minhas experiências nisso. Aprendi que supervisionar mais de cinqüenta pessoas traz o caos. Como pessoa única não se consegue organizar corretamente mais pessoas, e para mim ficou impossível trabalhar efetivamente com mais que cinqüenta pessoas. O dia tem somente vinte e quatro horas. Eu trabalhava todo dia durante dezesseis horas, e com gente demais não me era mais possível realizar os controle de maneira eficiente. Assim, nunca empreguei mais que cinqüenta colaboradores.


Capítulo 8

 

O Embargo

 

Nos primeiros anos, obviamente, quase não tinha lucro, isso é natural. Sempre investi tudo em novas máquinas e dragas e outros equipamentos. Também tinha uma boa clientela, era muito bem aceito porque sempre era pontual e tinha preços favoráveis. Afinal, eu queria prestar o serviço perfeito, pois só o que conta é o serviço. Quem tem um preço bom – ou seja, for barato e confiável, sempre estará na frente.

Mas então surgiram novamente os problemas com as repartições públicas. Houve atritos com empresas monopolistas com a Sociedade Integrada, as concessionárias de eletricidade, gás e água e com o limpa-chaminé. O limpa-chaminé deve examinar o chaminé, e os limpadores de chaminé aproveitam-se vergonhosamente desse monopólio. Às vezes tínhamos defeitos mínimos que seriam fáceis de sanar, mas exigia-se que a chaminé fosse derrubada. Meus colaboradores repetiam dizendo: “Chefe, ele só quer dinheiro, dê alguma coisa para ele e estamos livres desse assunto! Mas eu me revoltava contra isso e não pagava. Eu não queria entrar nesse negócio de propinas. Certamente eu teria ganho um processo com base em um parecer de perito, mas esses processos duram na maioria das vezes de um a dois anos. O objeto da construção não poderia ter sido entregue. Eu não podia meter-me nisso, porque, afinal, os proprietários da obra estavam esperando.

Portanto derrubei a chaminé. Embora isso me custasse dez vezes o montante que deveria ter pago ao limpa-chaminé, isso resolveu definitivamente o caso. Mesmo assim, fiquei muito aborrecido, porque aqui a lei para um enriquecimento legal foi abusado, já que na maioria das vezes os construtores se encontram sob pressão de tempo para o cumprimento de contratos, e não podem admitir atrasos – então pagam calados. Isso também é assim com outras repartições públicas, seja isso um magistrado em Viena ou o serviço público de gás, existe um fluxo de pagamentos silenciosamente tolerado. A partir da legislação, essa prática é evidentemente criminosa, mas é tratada como se fosse um pequeno delito por uma causa maior e enraizou-se de tal maneira, que essas pessoas ficam muito revoltadas quando esse esquema não funciona.

Eu não queria participar nisso, de maneira alguma. Agora ficou claro para mim, que todos estavam envolvidos, não apenas – como eu achava inicialmente – a Polícia Civil, Polícia Federal e juizes, mas, naturalmente, também outras repartições públicas. Era uma imensa rede de corrupção. Uns aceitam dinheiro por aquilo pelo que já são pagos de qualquer maneira, outros terrorizam e maltratam cidadãos – como no meu caso. E eu acabei descobrindo na prisão que não fui o único a ser maltratado.

 

Quando tinha a empresa de construção civil apareceram os primeiros avisos de depósito da Delegacia Regional da Fazenda. Elevados montantes de impostos eram devidos, e diante disso refleti o que eu estava realmente pagando com isso? Eu dava suporte a esse sistema corrupto e misantrópico. Eu queria, naturalmente, sair da Áustria, mas isso não era possível, porque tinha investido o espólio de meu pai na firma. Precisava tratar dos negócios para sobreviver. Porém, atividades econômicas sem problemas exigem o pagamento de impostos. Isso significaria para mim: “Abandono todos os meus princípios e vergo-me diante da loucura, pago impostos e pagarei eternamente me tornarei cúmplice desse sistema”.

Não podia fazer isso. Por isso pensei quais outros possibilidades existiriam, e então surgiu-me a idéia de declarar um “embargo de tributos”, para não financiar também os males, em moldes parecidos ao embargo imposto contra o Iraque como país promotor de guerras, apenas para evitar o pior.

 

O pior nisso tudo foi o meu conflito interior. Critico o sistema, no entanto pagaria para que se mantivesse em pé. Para mim, isso era impossível. Naturalmente, eu tinha consciência, que isso levaria com absoluta certeza a um novo conflito com as repartições públicas e que existia a possibilidade de uma nova detenção.

Mas então informei-me sobre o direito penal e cheguei a um resultado realmente surpreendente: a cominação de pena para sonegação de impostos é de, no máximo, um ano e um mês de prisão preventiva. Mas isso se refere somente ao caso da entrega de uma declaração de imposto errada. Declarar o imposto corretamente, mas deixar de pagá-lo não constitui na Áustria uma atividade criminal. Apenas precisa-se contar com a possibilidade que a delegacia regional da fazenda efetue penhoras ou confiscos, ou que pode estender-se até a destruição da empresa. Depois de meu advogado ter-me convencido pessoalmente de que não estaria cometendo um ato criminoso comecei a me mexer.

Assim mandei em 1989 um embargo de tributos ao procurador da fazenda na Singerstrasse. Nele esclareci em cinco páginas precisamente meus motivos.

 

Werner Rydl

2601 Sollenau

Wr. Neustädterstrasse 49

 

À

Procuradoria da Fazenda

Singerstrasse 17/19

A-1010 Viena

 

Referente: a) Comunicação de um dano moral e financeiro causado por órgãos da Federação

b) Comunicação da retenção de tributos federais

(Embargo de tributos)

 

Apresentação pessoal

Werner Rydl nasceu em Viena em 07.08.1957 como filho da senhora Erna Hönig, expulsa da Tchecoslováquia [antigos Sudetos Alemães – N.T.] e do especialista têxtil Wilhelm Rydl. Depois da escola primária e do ginásio, concluiu com bons resultados o Instituto Federal Superior de Ensino e Pesquisas para a Indústria Química, em Viena 17, Rosensteingasse. Na seqüência trabalhou durante 10 anos na Fábrica de Açúcar de Siegendorf na função de químico de safra. Sua vida transcorreu de maneira discreta e sem problemas... até o ano de 1985.

 

2) O início do conflito

No ano de 1985 sofreu a perda de um veículo a motor e apresentou uma denúncia de perda na competente repartição pública. Não houve êxito de busca no curto prazo e assim foi solicitada a prestação de serviços da seguradora. Essa, porém, foi-lhe negada até hoje, e, pelo contrário, ocorreu então o seguinte:

 

... foi intimado a comparecer na Polícia Civil de Plottendorf;

... atendeu a essa intimação sem demora;

... na delegacia foi imediatamente detido por dois agentes da Polícia Federal de Viena, mediante ordem de prisão do Tribunal e Viena Neustadt / Dr. Zak;

... até esse momento não teve quaisquer antecedentes criminais, tinha boa reputação, e não existia acusação de pessoas prejudicadas ou alegando danos físicos;

... foi confrontado com acusações de um informante, largamente conhecido, da polícia, que continham a acusação, que sua reivindicação de obter a prestação de indenização da seguradora foi formulada com intenção fraudulenta, porque o veículo segurado teria sido enterrado por ele, o que nunca aconteceu e também nunca foi provado pela justiça austríaca;

... sob a aplicação de socos, pontapés e um saco de nylon, que por várias vezes lhe foi colocado sobre a cabeça até o aparecimento de sinais de sufocamento, bem como a ameaça de ser morto a tiros com uma pistola, foi obrigado a fazer uma confissão falsa, pela qual foi em seguida injustamente indiciado por crime;

... na seqüência, a prisão preventiva durou 11 meses sob a alegação de risco de fuga e a suspeita de uma tentativa de fraude de seguro;

... reclamou esses excessos policiais, ma o juiz de instrução criminal, Dr. Zak, limitou-se a declarar de forma lapidar, que não via razão para não poder confiar na sua confissão;

... desistiu de uma denúncia contra os agente investigadores, porque a mesma teria levado a uma nova acusação e a provável condenação por difamação.

Finalmente foi condenado, depois da prisão preventiva de 11 meses, a uma pena de prisão condicional de 10 meses por tentativa de fraude de seguro, que até hoje não encontra reconhecimento de sua parte.

 

3) Comunicações do tempo da prisão preventiva

 

As seguintes pessoas, respectivamente instituições, foram por ele informados por escrito, que, por agentes de investigação policial, os direitos humanos são desrespeitados maciça e propositadamente pelo fato de existir tortura de presos, e assim, a imediata necessidade de ações:

... o Presidente da República, Dr. Kirchschläger;

... o Presidente da República, Dr.Waldheim;

... o Ministro de Justiça, Dr. Ofner;

... o Procurador Geral, Dr. Wieser;

... o Juiz der Instrução Criminal, Dr. Zak;

... o Juiz Penal, Dr. Langer;

... o Ministério Público de Viena Neustadt;

... o Ministério Público de Viena;

... a Câmara dos Advogados.

 

Reações por escrito recebidas:

... o Presidente da República comunicou, que instruiu o Ministro da Justiça a dar um parecer e que lhe comunicaria imediatamente esse parecer;

... o Ministro da Justiça comunicou, que, no processo am andamento, não podem ser constatadas irregularidades.

 

A situação legal relativa ao assunto de excessos policiais na Áustria

O Governo Federal da Áustria comprometeu-se com o respeito dos direito humanos em conformidade com a Convenção dos Direitos Humanos da ONU... porém, não no teor completo recomendado. O direito de um preso a imediata assistência jurídica não foi aprovado.

Conseqüentemente, na legislação austríaca encontra-se legalmente amparado, que a um preso pode ser negado por uma duração de até dois meses o acesso de um assistente jurídico, de uma pessoa de sua confiança ou de um parente... Essa circunstância é quase única no mundo inteiro.

 

O legislador, os detentores do poder do Estado da Áustria, respectivamente o Governo Federal da Áustria, não somente favorecem, como assumem conscientemente a possibilidade, que prisioneiros na Áustria possam ser maciçamente torturados sem com isso incorrer no risco de um prosseguimento penal, porque, depois de 2 meses, fica quase impossível ao detido apresentar as necessárias provas de danos físicos, mentais e espirituais.

 

Por outro lado, os detentores do poder na Áustria possuem mediante essa situação legal em qualquer momento a possibilidade enfrentar maciçamente, respectivamente oprimir dessa maneira numa forma que fere os direitos humanos, quaisquer críticos indesejados, ou uma oposição crítica barulhenta, por “incitamento à agressão”.

 

Além disso, é prática forense habitual, que confissões ou outras provas, cuja origem se situa no tempo de uma “prisão protegida”, sejam consideradas fundamento de prova em motivações de sentenças penais. Dessa maneira não existem barreiras contra o indiciamento criminal arbitrário e proposital de pessoas por detentores de poder em função pública.

 

Essa prática aplicada está em substancial contradição ao ideário dos direito humanos proclamados pela ONU.

 

Métodos de maltrato e tortura dos agentes da Áustria em 1985/1986.

 

a) experiência pessoais em 11 meses de prisão preventiva

... socos com alvo certo e incerto em todas as partes do corpo;

... pontapés com alvo certo e incerto em todas as partes do corpo;

... provocação de condições de sufocamento;

... ameaças físicas, mentais e morais;

... provocação ao suicídio;

... incitação para a fuga sob pretensão de morte.

 

b) percepções de narrações dignas de crédito durante 11 meses de prisão preventiva

... ameaças de morte sob apontar de pistola;

... aplicação de choque elétrico (bobina de automóvel com bateria de automóvel);

... amarração em instalações de calefação por meio de algemas;

... pendurar pelo pés;

... ameaça de prisão;

...violações sexuais, e muito mais.

 

O anuário da Comissão de Direitos Humanos da ONU – comprovação estatística

Durante o período de prisão me foi possível conhecer um grande número de presos, que sabiam narra excessos policiais, que foram colecionasdos cuidadosamente e ... para a seção ...

 

Não recebi qualquer resposta por escrito à minha correspondência relativa ao embargo. Mas eu sabia, que na Áustria não era preciso cometer algum crime para ser perseguido pela sua opinião, colocado na prisão, ou até ser morto. No ano de 1989 decidi-me pelo Brasil como verdadeira pátria. Naquela época, eu já vivia durante vários meses por ano no Brasil e construí lentamente uma estrutura familiar.

 

Como única reação ao meu embargo recebi no outono de 1990 um telefonema da Secretaria Regional da Fazenda, quando me foi solicitado estar preparado para um encontro em Viena “fora do horário oficial” com um senhor Wolfgang Holz para falar sobre meu embargo “numa atmosfera particular”. O encontro realizou-se, durante o qual foi tratado com uma cortesia oficial como até então não conhecia. Contei a história da minha vida e foi me assegurada uma citação pública ao Ministério da Fazenda, que não chegou a acontecer. Poucos meses depois deixei a Áustria em direção ao Brasil para não mais retornar.

 

 


Capitulo 9

 

Os Últimos Dias na Áustria

 

No ano de 1990, eu estava decidido a virar as costas à Áustria. Encerrei minhas atividades de construção civil na Áustria e transformei todos os empreendimentos que possuía, e nos quais estava investido o dinheiro da família, em empresas comerciais e de produção. Na realidade, eu queria apenas paralisar tudo, ou vender, e iniciar no Brasil minhas atividades de produção e comerciais. O que me impediu de assim proceder foram os 15 empregados que teria que colocar na Áustria do dia para a noite diante do nada. Finalmente confiei minhas novas atividades econômicas na Áustria a eles e eles produziram um catalisador, por mim desenvolvido, com platina como substância ativa, e que denominei de Material DPF. Óleos para perfumaria, geléia Royal, madeira e diversas máquina foram comercializados como produtos comerciais durante os anos seguintes através das minhas empresas já existente na Áustria.

 

Houve da minha parte prestação final de contas de todas as obras de construção civil e todas puderam ser compensadas com saldos negativos. De maneira alguma, eu queria deixar para trás uma situação que alguém me pudesse levar a mal.

 

Nessa época tive ainda alguns encontros com austríacos, que conheci no decorrer dos últimos anos, e que defendiam uma posição política parecida com a minha com relação à Áustria, baseada em experiência semelhantes às minhas vividas na Áustria. Meu último trabalho com esse grupo foi o de fazer frente a uma nova interpretação histórica, que tinha sido encomendada pelo governo austríaco. Para tal, o governo austríaco encarregou o jornalista mais conhecido da Áustria naquela época, com o nome de Hugo Portisch. Resultou daí um livro e um programa seriado de televisão que falsificou na sua essência o verdadeiro passado da Áustria. Ele descreveu a entrada militar de Hitler na Áustria como ocupação, ou seja, como dominação à força na Áustria, e as atividades bélicas nas quais participaram austríacos como atos impostos e forçados pela tropas alemães, e qualificou o campo de concentração de Mauthausen, funcionando na Áustria, como exclusivamente operado por alemães que, perante os austríacos, faziam segredo das atividades sangrentas naquele campo.

 

Na percepção do meu grupo, que se chamava de “fórum democrático”, isso foi simplesmente um “crime” contra a história austríaca. Preparamos uma divulgação para fazer frente a essa mentira mais impertinente, e mandamos o seguinte a 10.000 endereços escolhidos:

 

Prezadas Austríacas,

Prezados Austríacos!!

 

Nós, do Fórum Democrático, protestamos contra a falsificação do nosso período nazista e pós-guerra austríaco, encomendada pelo nosso governo e realizada por Hugo Portisch, e solicitamos que todas/os as/os Senhoras/es apóiem nosso direito à resolução de fato do nosso passado. Nossos órgãos governamentais querem nos fazer crer, que a Áustria foi ocupada pela Alemanha nazista. Essa avaliação errada deve continuar a ser manifestada em nós mediante um enorme custo financeiro. A ridicularização da Áustria no exterior precisa finalmente ter um fim. Ninguém consegue enganar-nos sobre o fato de que a anexação da Áustria à Alemanha de Hitler foi saudada por uma maioria absoluta. Não existe um passado da Áustria que seja melhor documentado do que o período nazista da Áustria. Em milhares de fotografias, que documentam a entrada do exército não se consegue ver uma única expressão de rosto preocupada ou desgostosa de austríacos. Conhecemos todos a fotografia em que funcionários austríacos de fronteira retiram as barreiras austríacas em visível atmosfera de festa popular para possibilitar às tropas alemães, sob a liderança do austríaco Adolf Hitler, a entrada absolutamente sem entraves, portanto favorecida, na Áustria.  Especialmente nossa geração pós-guerra precisa ter o direito de reconhecer suas raízes. Nenhum outro austríaco, a não ser Adolf Hitler obteve no mundo inteiro mais popularidade nesse século. À nossa geração deve ser dada a possibilidade de estruturar seu futuro através do conhecimento exato e correto do nosso passado e das nossas raízes. A tomada de poder por Adolf Hitler foi lhe possibilitada pelos alemães, mas o que foi na seqüência liberado em energia criminosa originou-se nas suas raízes mentais que se encontram na sua pátria, a Áustria. Precisamos ser agradecidos por cada circunstância e comprovação que pode ajudar em reconhecer a situação sob uma outra luz. Nunca nesse século tantas pessoas posicionaram-se ao redor da praça da prefeitura em Viena do que na sua saudação depois da entrada das tropas alemães. Nunca houve uma votação mais inequívoca em eleição para um candidato que aquela para Adolf Hitler na Áustria. Para uma absoluta maioria na Áustria, ele incorporava o conterrâneo que deixou o país por eles para conquistar a Alemanha para Áustria. Adolf Hitler prometeu aos austríacos pão e trabalho, e apenas para isso, eles estavam prontos a prestar lhe homenagens e seguir-lo incondicionalmente. Centenas de testemunhas vivas, que procurei pessoalmente na minha vida pregressa e que perguntei sobre os acontecimentos no campo de concentração de Mauthausen, não podiam ter sido enganados nas suas percepções pessoais que foram na maioria austríacos que estavam envolvidos decisivamente com a dizimação industrial e desumana de vidas humanas em Mauthausen. Certamente não cabe à nossa geração julgar os nossos pais, mas por outro lado também não cabe aos nossos pais roubar de nós o nosso passado, porque sem ela vivemos sem amor e sem futuro. O início e o fim da nossa nova democracia austríaca foram confrontados simultaneamente com o nosso governo escondendo-se atrás da mentira de que a Áustria deve ser vista como nação libertada. Com isso, uma mentira tornou-se um elemento construtivo de uma suposta democracia pluralista, o que, ao mesmo tempo, tinha que levar ao seu desmoronamento. Os direitos irrestritos a liberdade política e de opinião numa democracia foram colocados em ferros. Nossos detentores de poder austríacos subtraem-nos nosso passado e vendem-nos politicamente uma muleta democrática como forma de estado. Quais forças estão tentando nos enganar aqui?

 

Werner Rydt

Fórum Democrático

01.01.1991

 

Também queríamos publicar esse documento em numerosos jornais diários austríacos. Mas isso nos foi negado sem explicação. Somente anos mais tarde deveríamos poder identificar a razão para isso.

 

Por essa divulgação esperamos desencadear uma ampla discussão pública. Recebemos numerosas reações a isso, que, no entanto, para nossa surpresa manifestaram-se em 99% contra nossa opinião.

 

Recebemos xingamentos por isso e até ameaças de morte. Apenas duas pessoas saudaram nossa divulgação e juntaram-se ao nosso Fórum Democrático. Com base nas ameaças formuladas pessoalmente contra mim deixei a Áustria definitivamente poucas semanas depois, com a promessa aos meus poucos amigos democráticos da Áustria de continuar, a partir do Brasil, manter-me politicamente ativo na Áustria para localizar aquelas pessoas que conscientemente desrespeitam abusivamente a ordem democrática na Áustria.

 

 

 

 

 


Capítulo 10

 

Emigração para o Brasil

 

No início do ano de 1991 viajei para o Brasil para lá permanecer para sempre. Na verdade decidi-me pela minha nova pátria, o Brasil, já em 1987. Já viajei por 108 países deste mundo antes de decidir-me pelo Brasil. Tomei essa decisão com fundamento em duas precondições. Eu queria encontrar uma democracia verdadeira na minha nova pátria, uma democracia em cujo desenvolvimento pode-se participar ativamente, e o segundo critério era que não houvesse um inverno com menos de 15°C. Já em 1986 mandei traduzir a constituição brasileira para o alemão para estudá-la. Fiquei muito entusiasmado com a primeira impressão. Em comparação com a austríaca, avaliei-a significativamente mais aberta ao mundo e não tão nacionalista como a austríaca. Nos anos de 1987 – 1990 passei apenas períodos curtos no Brasil para criar uma residência para mim em Pernambuco. Eu mesmo organizei a construção da minha casa, e nisso misturei-me firmemente com o povo simples no Brasil. Gostei da mentalidade brasileira desde o primeiro momento. Bater em crianças, o que na Áustria pertence ao cotidiano da “educação”, é completamente proibido no Brasil. Os funcionários públicos e policiais foram sempre corteses, nunca prepotentes e sempre dispostos a ajudar. Eu nunca tinha encontrado essas três qualidades reunidas numa única pessoa nos 30 anos da minha vida na Áustria. Desde o primeiro momento senti-me verdadeiramente “em casa” nesse país. Minha alma rejubilava aqui, o que nunca consegui sentir na Áustria. O conceito de pátria ganhou aqui uma dimensão totalmente nova. Eu vivia diretamente junto ao mar em Barra do Sirinhaem – PE, mas para poder administrar a partir daqui minhas empresas austríacas precisava no mínimo de um telefone, e assim montei no vilarejo imediatamente vizinho, Rio Formoso – PE, uma pequena casa na qual ppderia morar e tenho até hoje um escritório com telefone.

Já em 1990, a produção e venda do catalisador de platina, por mim desenvolvido, começaram bem. Minha empresa austríaca exportava-o para a minha empresa nova, Intertrade Ltda., que tinha sua sede em Rio Formoso _PE. Eu não queria, de alguma maneira, fornecer diretamente a partir da Áustria para meus clientes finais, porque as repartições da fazenda da Áustria vendem, em qualquer momento, todas as informações a todos que estiverem dispostos a pagar por isso. Em 10 anos como autônomo nenhuma vez me aconteceu que minha concorrência dispusesse da relação completa dos meus clientes. Não somente uma vez funcionários da fazenda austríaca ofereceram-me informações de qualquer empresa desejada contra pagamento. Sempre me perguntava em que tipo de democracia eu estava vivendo na Áustria. Naturalmente temo na Áustria um sigilo tributário, mas ele não vale o papel em que está escrito. Hoje tenho minhas empresas brasileiras, há 15 anos. Mas, o que aconteceu comigo na Áustria, ainda não vivenciei ou me foi contado por outrem, nessa maneira.

 

Aproveitei os anos de 1991 a 1995 para aprender português, conhecer mais precisamente a mentalidade e acostumar-me à minha nova pátria antes de exercer atividades no interior do país. Minhas empresas na Áustria produziam, compravam mercadorias e exportavam tudo para o exterior, onde eu vendia as mercadorias através da Intertrade Ltda. para terceiros países. Até o outono de 1991, não houve dificuldades significativas com as repartições públicas, porque todas as minhas empresas exportavam com isenção de impostos e a cada mês havia créditos tributários. Então, meu consultor tributário informou-me, que a Fazenda da Áustria não reconhecia a dedução antecipada de imposto cumulativo (ICMS a cobrar), porque, segundo dizem, o fornecedor não existia. Eu mesmo conhecia pessoalmente, desde 1980, o negociante que vendia a matéria prima para as minhas empresas, bem como seu negócio. Mas meu consultor tributário também afirmou, que se tratava apenas de uma chicana, porque o funcionário da secretaria da fazenda queria propina. Eu devia fazer chegar alguma coisa a ele, e tudo estaria em ordem. Fiz chegar alguma coisa ao funcionário, porém, em lugar da propina, uma denúncia no Ministério Público por abuso da função pública. Mas com isso, o problema não ficou resolvido, bem ao contrário, iniciou-se a próxima ação criminal contra Werner Rydl, organizada por órgão do estado até o nível de ministério. Meu consultor jurídico contestou na Áustria a negação do crédito da dedução antecipada de imposto cumulativo para minha empresa austríaca e comunicou para a Secretaria da Fazenda o número de cadastro tributário do fornecedor. Pouco tempo mais tarde veio a resposta, assinada pelo mesmo funcionário da secretaria da fazenda que eu tinha denunciado. Ele negou novamente à minha empresa o crédito tributário com a justificativa: “Seria impensável, que um número de cadastro tributário fosse concedido a uma empresa inexistente”. Meu consultor tributário teve que rir. Porque ele já vivenciou que certa vez se tinha dado um número de cadastro tributário a um cachorro. Naquela época bastava preencher um formulário sem a apresentação de documentos adicionais, e 72 horas mais tarde dispunha-se do número de cadastro tributário. Um procedimento dessa natureza seria impossível na Secretaria da Fazenda brasileira, mas na Áustria era prática diária em 1991.

 

Tirei as conseqüências disso e queria fechar minhas empresas na Áustria e produzir inicialmente no Brasil. Porém, meus colaboradores austríacos pediram-me desistir dessa possibilidade, porque perderiam seus empregos. Pessoalmente ainda não me sentia suficientemente seguro para transferir a produção totalmente para cá, já no primeiro ano aqui no Brasil. Por isso decidi de eu mesmo não mais exportar com minha empresa na Áustria, porém transferir isso para terceiros no exterior. No início de 1992 fechei minha empresa comercial e permaneci na Áustria unicamente com minha empresa de produção. Nunca estive disposto a pagar propina para receber meus direitos. A denúncia contra o funcionário da fazenda não teve seguimento por parte do Ministério Público austríaco. Pessoas são torturadas por policiais na Áustria, confissões são extorquidas, e qualquer queixa a esse respeito conduz na Áustria a novas agressões. Que credibilidade democrática tem essa Áustria? Ou tudo isso acontece somente a Werner Rydl?

 

Não. – Meus amigos políticos, com os quais mantive também depois de minha saída da Áustria uma intensiva comunicação, informaram-me sobre muitas semelhanças. Cada vez mais formulávamos a pergunta, quem ou o que permite às repartições públicas austríacas de nível inferior cometer impunemente todos esses crimes. Depois do ano de 1992 reforçamos nossas atividades no sentido de analisar as estruturas nos nineis mais elevados da administração desse país. Nosso primeiro interesse visava a mídia austríaca. Procuramos contatos de amigos e pedimos esclarecimento porque, por exemplo, a mídia austríaca nada publica contra a mentira histórica da Áustria, ou pelo menos não divulga outras opiniões sobre o assunto. Depois de poucas semanas de intensivas perguntas dos meus amigos políticos resolveu-se a charada. Quase todas as empresas de mídia da Áustria recebem anualmente do legislador austríaco subsídios financeiros que estão legalmente regulamentados na Lei de Fomento à Imprensa da Áustria. Quase todas as entidades da mídia recebem entre 5 e 20% do seu faturamento em subvenções. Devido à grande oferta da mídia na Áustria e o mercado pequeno, todas as empresas ficam na dependência deste fomento na sobrevida financeira devido a pressão de competição que cresce de ano a ano. Qual empresa na Áustria recebe, que montante de subsídio financeiro é decidido, há décadas, por um funcionário do Ministério da Fazenda. Por essa razão inexiste hoje na Áustria qualquer liberdade de imprensa que possa informar sobre problemas administrativo ou males da administração democrática. Com isso, não existe qualquer acesso a quase nenhuma das atividades dos órgãos estatais austríacos para uma reportagem equilibrada pela mídia. E a desertificação da paisagem jornalística continua aumentando. Fica quase impossível à mídia austríaca reportar sobre as insuficiências administrativas cotidianas, o que seria necessário para refrear o abuso por funcionários públicos. Na Áustria vale hoje a regra jornalística que só se pode noticiar mais sobre aquilo que não pode ser mais mantido em sigilo, e se for necessário, funcionários federais austríacos devem, por princípio, ser mantidos acima de qualquer suspeita criminal. Em comparação com a liberdade de mídia brasileira, pode-se descrever a liberdade de imprensa austríaca como aquela de um regime estatal, mas jamais digna de uma democracia. Se hoje divulgássemos em alto e bom tom essa realidade na Áustria em praça pública, despertar-se-ia espontaneamente nos ouvintes austríacos uma vontade de perseguição, porque somente um relato sobre o estado ideal é aceito como realidade. Comparável com a reação da maioria dos austríacos, de que em seu passado familiar jamais existiu um nazista ou alguém seguiu Hitler. Semelhante também é a consciência de corrupção do austríaco, que se conformou que na Áustria não pode existir corrupção, no máximo tributos administrativamente necessários. A corrupção na Áustria encontra-se regulamentada nacionalmente a partir de instância estatais do nível mais elevado. Isso tudo são fatos da, e sobre a Áustria que pessoalmente me fizeram a vida não parecer digna de ser vivida ali. Depois de já um ano de permanência no Brasil em 1991, eu tinha a certeza de que tinha encontrado meu paraíso, e peço diariamente a Deus que proteja o meu Brasil. Porque Deus vive no Brasil, disso estou convencido.

 


Capítulo 11

 

Meu Fim Comercial na Áustria

 

O assunto da negação da dedução antecipada de imposto cumulativo (ICMS a cobrar), porém, não me deixou em paz e pensei como poderia, de uma vez para todas, testar a condição de estado de direito da Áustria, e realizar esse teste através das instâncias mais altas do estado. Um acaso veio me ajudar. Surgiu na Áustria uma reformulação da legislação tributária do imposto sobre o valor agregado que dizia que pagamentos de amortização de uma empresa para outra já são considerados como tributáveis. Com essa nova lei tive a possibilidade de fazer o teste. Na qualidade de diretor da minha empresa “A” fiz com essa nova lei pagamentos de amortização num mês para a minha empresa “B” no valor de aproximadamente 20 bilhões de Euro. Isso significou que minha empresa “A” tinha que pagar 4 bilhões de Euro em impostos (ICMS) e minha empresa “B” tinha que receber no mesmo dia um lançamento de crédito. O montante por mim informado à secretaria da fazenda foi tão elevado, que, na realidade, todas as engrenagens pararam por isso. Esse valor imenso, a Fazenda da Áustria não conseguiu sequer operar de forma computadorizada, porque o sistema de cálculos não admitia tantos dígitos. A surpresa foi perfeita, nunca alguém tinha informado um montante maior em sua declaração de renda do que minha empresa na Áustria. Dentro de poucas horas, até o Ministério da Fazenda estava informado, e lá houve uma reunião de crise com o funcionário tributário mais poderoso, que na Áustria era chamado de Chefe de Secção. Então fiquei curioso, qual decisão tomaria a personalidade tributária mais poderosa para o meu caso tributário. Em princípio, tudo era apenas um jogo de números entre duas empresas austríacas, que eu poderia cancelar no mês seguinte. Se a Áustria realmente fosse um estado de direito nas instâncias supremas, as minhas duas declarações de imposto entregues deveriam aparecer na conta tributária de ambas as empresas. Para a Fazenda austríaca um jogo de soma zero. Não havia o que ganhar, nem perder. O mais alto órgão da Fazenda da Áustria cumpriria a lei ou não? Com mais de 60 dias de atraso veio a resposta para ambas as empresas, A e B, na qual minhas duas declarações de impostos “não” foram reconhecidas. A sensação estava perfeita, eu tinha a comprovação de que os funcionários mais altos do estado não respeitavam a situação legal em vigor, o que leva qualquer aspecto democrático para dentro “ad absurdum”. Eu tinha estourado o segredo mais íntimo dessa democracia fictícia da Áustria. A fundamentação, com a qual minhas duas declarações de imposto foram negadas, foi a mais tola que jamais vi: “A repartição federal da fazenda austríaca não dispõe no momento de conhecimentos maiores, pelo que suas declarações de impostos tiveram que ser negadas”. Dito de palavras mais simples: ignoramos o assunto, mas decidimos contra sua opinião. Portanto, o contribuinte deve, por princípio, ser visto como destituído de credibilidade. Esse posicionamento é digno de um regime ditatorial, mas “impensável” numa democracia verdadeira. Naturalmente formulei uma objeção contra essas notificações, cuja resposta aguardo agora já por mais de 15 anos. A partir desse momento tornei-me para o nível administrativo mais elevado o inimigo número um do estado. Centenas de notícias nos jornais e a publicação de um livro sobre Werner Rydl, que então foi também citado como inimigo número um do estado na página de título, constituíram no ano de 1996 o ponto culminante oficial da minha perseguição através de órgãos supremos da administração austríaca. A partir do ano de 1992, meu trabalho político ficou caracterizado em querer saber e analisar tudo ao redor do chefe de seção para todas as receitas tributária da Áustria. Com isso, foram superados meus piores receios sobre o status democrático da Áustria.

 

A partir desse momento, todas as minhas empresas austríacas não foram mais controladas por funcionários normais da fazenda, mas pela PAST. Essa é uma polícia fazendária secreta, que, em princípio, exerce hoje a mesma função na Áustria como a GESTAPO na época de Hitler, só que a PAST exerce na Áustria as ações de destruição de pessoas através de sanções econômicas.

 

Minhas empresas na Áustria trabalhavam bem e pela circunstância de que as mesmas não exportavam em regime próprio desde 1992 não havia conflitos com os funcionários da fazenda, que queriam conceder créditos de deduções antecipadas de imposto cumulativo legalmente apenas contra o pagamento de propina. Os exportadores invadiam em massa minhas empresas para poder fechar um contrato de exportação para minhas empresas. Com alguns tive contatos pessoais e alguns poucos chegaram a perguntar porque nos mesmos não exportamos, e minha resposta foi sempre, que tínhamos tido más experiências com os créditos das deduções antecipadas de imposto cumulativo pela Fazenda austríaca. A partir do ano de 1992, eu defendia oralmente em público a opinião de que na Áustria não se pode confiar que a repartição da fazenda austríaca cumpra suas obrigações legais. No ano de 1996, o chefe da OAB da Áustria utilizou quase as mesmas palavras na apresentação na TV oficial da Áustria para criticar seu comportamento.

 

Em 1995, minhas críticas sobre o chefe de seção do Ministério da Fazenda da Áustria chegaram a um ponto culminante. Porque até então podia comprovar de maneira inequívoca, que essa pessoa submete fundamentos democráticos essenciais à sua vontade geral própria, e assim domina as seguintes instituições essenciais do estado.

 

Ele é não rescindível e intransferível de maneira vitalícia a partir do instante em que atingiu essa posição de poder de um chefe de secção. Nem um ministro, o presidente do estado ou outro qualquer órgão na Áustria, como também não o povo austríaco, pode destituí-lo do poder de que dispõe como chefe de secção.

 

Ele é a única pessoa que decide na instância mais elevada sobre dívida tributária ou crédito tributário em empresas austríacas. Embora os tribunais superiores austríacos possam rejeitar suas decisões quando forem apeladas, ninguém o fará a quem ele “empurra” créditos tributários, mas também nada mais. Ter seus direitos tributários decididos favoravelmente por um tribunal superior apenas significa sempre que novamente será preciso procurar seus direitos in primeira instância.

 

Ele é a única pessoa que assina como responsável, quanto dinheiro flui efetivamente a cada mês das receitas tributárias para o orçamento austríaco, com o qual então os representantes democraticamente eleitos na Áustria podem “brincar”. Nisso, é preciso considerar que por um lado as receitas tributárias são evidentes de forma totalmente transparente através dos bancos, mas o que, por outro, é devolvido mensalmente desse montante mediante créditos tributários é resultado da decisão única do chefe de secção em última conseqüência, sem qualquer órgão de controle superior. Por essa razão lhe é possível colocar o orçamento austríaco sob pressão conforme a situação política que lhe convém.

 

Ele é a pessoa competente que decide sobre o fomento legal à imprensa. Conforme minha percepção, nos últimos 30 anos não houve crítica pública em um chefe de secção na Áustria. Não porque não houvesse material suficiente a ser criticado em suas atitudes com respeito às regras democráticas, mas devido sua influência sobre a sobrevida econômica de toda a mídia austríaca. Recordo-me de um caso de corrupção de consultores financeiros austríacos que foi publicado no jornal, onde o chefe de secção decidiu pessoalmente sobre os termos a serem utilizados antes da publicação!

 

Ele exerce maciça influência pessoal sobre o Supremo Tribunal Austríaco e sobre o Ministério Público Geral da Áustria, onde cultiva amizades políticas vitalícias.

 

Ele tem influência decisiva sobre a legislação tributária austríaca. Ele deixa-se festejar na mídia austríaca como o pai da legislação tributária austríaca. Com isso, ele incorpora em uma e a mesma pessoa o mais alto poder legislativo e executivo, sob o exercício maciço de influência sobre o poder máximo da justiça. Todos nós sabemos, que espécie de democracia isso significa.

 

No ano de 1995, ela mandou fechar todas as minhas empresas na Áustria por meio da sua polícia fazendária PAST. Ele fez com que todos os negócios das minhas empresas fossem, por recomendação dos seus amigos no Supremo Tribunal de Justiça, caracterizados como casos de fraude nos meus exportadores para assegurar a possibilidade de ter Werner Rydl extraditado do Brasil para “acabar” com ele na Áustria, Seu maior inimigo político, que nessa época já tinha a cidadania brasileira depois de 4 anos de permanência ininterrupta no Brasil.

 


Capítulo 12

 

O Nacional-socialismo na Áustria

 

Desejo nesse ponto fazer uma ponta para todos os textos já publicados sobre esse assunto. O nacional-socialismo na Áustria não eliminado das cabeças dos austríacos depois da segunda guerra mundial, mas pela circunstância de que a Áustria foi vista pela forças aliadas como “país libertado”, o nacional-socialismo foi ainda mais firmado no cidadão austríaco. Em outras palavras, a opinião política do austríaco foi confirmada como sendo certa, já que a Áustria foi libertado do “falso” nacional-socialismo alemão. Não podemos, porém, identificar quaisquer diferenças fundamentais entre os nacional-socialismos alemão e austríaco. Conheço muitas declarações e descrições publicadas sobre a palavra ‘nacional-socialismo’, mas nenhuma conseguiu até hoje me satisfazer plenamente. Como fui confrontado durante 28 anos da minha vida com essas características nacional-socialistas na prática diária devido à minha vida na Áustria, e posteriormente durante 20 anos ter a satisfação de conhecer a prática de vida na estrutura democrática do Brasil, consegui ter acesso a um ângulo de visão especial com relação ao tema do nacional-socialismo na Áustria.

 

Na realidade não existe uma descrição melhor de direção política do que a palavra “nacional-socialista” que acertasse melhor o cerne da sua vontade política. Busca-se com isso o socialismo máximo para a própria nação, portanto, busca-se o maior nível nacional possível para a nação austríaca. Com essa descrição deixa-se esboçar melhor a atual situação política austríaca. Mas a Áustria foi obrigada pelas tropas aliadas depois da segunda guerra mundial a renunciar a esse termo “nacional-socialista” e de assumir uma forma democrática de estado. Mas como pode um povo, que sempre teve de sentir-se culpado dos maiores crimes humanos da história do homem, tornar-se, de um dia para o outro, uma estrutura liberal, pluralista e aberta para o mundo e que possa respeitar os direitos de todos os homens deste planeta. Isso era impossível, porque nas cabeças dos austríacos, a palavra “nacional” estava profundamente enraizada e ainda mais fortalecida pela incumbência de ter que representar uma nação libertada. O convite aos austríacos de tornar-se parte de uma comunidade mundial democrática nem conseguiu ser compreendido, e assim temos hoje, 60 anos depois do término da segunda guerra mundial, uma estrutura democrática puramente nacional, formada na Áustria, que até hoje está ainda muito distante de ser vista como uma parte da comunidade democrática mundial. Hoje, o quadro de costumes políticos da Áustria mostra um nacional-socialismo para dentro e uma democracia fictícia para fora.

 

Tivemos durante os últimos 50 anos na Áustria essencialmente três partidos políticos, dos quais cada um recebe mais de 10% de aprovação popular nas eleições. Trata-se do Partido Popular Austríaco (ÖVP), o Partido Socialista da Áustria (PSÖ) e o Partido Liberal da Áustria (FPÖ). O partido mais conhecido no exterior é o FPÖ sob a liderança partidária de muitos anos de um cidadão de nome Haider. Esse vale no mundo inteiro como cartaz para o nacional-socialismo austríaco. A realidade, porem, é bem diferente. Pelo menos 90% de todos os austríacos foram seguidores entusiastas do nacional-socialismo sob Hitler. Mas esse 90% não aprendeu sua lição depois da guerra, embora não mais pudessem exteriorizar sua convicção interna. Essa mentalidade política distribuiu-se de maneira quase uniforme sobre os três partidos mencionados. Segundo minha opinião, encontramos a presença mais forte do ideário nacional-socialista no Partido Socialista da Áustria. Esse partido encontra a maior aprovação no meio dos trabalhadores e funcionários públicos.

 

O representante mais poderoso em assunto internos, há 25 anos, é o chefe de secção Wolfgang Holz do Ministério da Fazenda, Secção Tributos. Pela implantação da Lei do Imposto sobre Valor Agregado no ano de 1976 na Áustria fica possível ao mesmo influenciar maciçamente os volumes tributários que efetivamente fluem para o orçamento austríaco. Ele é não rescindível e intransferível por qualquer órgão democrático eleito da Áustria. Ele tem uma grande influência sobre os bancos e as companhias de seguro da Áustria através da fiscalização bancária e securitária estabelecida no Ministério da Fazenda austríaca em Viena. Sua pessoa tem influência essencial sobre os mais elevados níveis da justiça da Áustria. Sem sua aprovação, modificações na área tributária austríaca são impossíveis. Somente em ditaduras e regimes estatais encontra-se tanto poder concentrado em uma única pessoa, mas não em democracias verdadeiras, que, no entanto, a Áustria alega ser para não perder o contato com a comunidade mundial de manifestação cada vez mais sonora. Na qualidade de nacional-socialista mais poderoso da Áustria, Wolfgang Holz é agora, há 15 anos, meu inimigo político mortal publicamente declarado, uma vez que seus atos e suas opiniões de nenhuma maneira combinam com as minhas, as de Werner Rydl, que por toda sua vida vê a sobrevida do indivíduo somente assegurada numa democracia verdadeira.

 

Desde 1995 utilizei minha plataforma de internet, www.rydl.net, para a publicação de todos os atos provenientes de Wolfgang Holz, que estão associados com prevaricação, abuso de poder público e o minar dos direitos democráticos fundamentais. Por isso sou perseguido por Wolfgang Holz no Brasil.

 

Mas, continuemos a observar a situação política na Áustria. O Partido Liberal da Áustria, sob a liderança de Haider, é, de acordo com minha opinião, ainda o partido que mais mostra pelo menos tentativas de discutir a herança mental fundamental da Segunda República da Áustria. Por isso, ele é avaliado excessivamente pela mídia austríaca como situado muito próximo desse ideário. Haider fala claramente do “aborto nacional” da Áustria depois da segunda guerra mundial. Com isso consegue minha concordância, mas de resto, nossas opiniões divergem, porque ele gostaria de ver o nascimento da nova República da Áustria mais próximo do nacional-socialismo. Em todo caso, a convivência pacífica dos partidos políticos existentes na Áustria durante os últimos 60 anos não se deu devido ao respeito crescido pelo adversário político, mas muito mais cabe à circunstância de que todos os três partidos conseguem reduzir seus valores básicos em um e o mesmo nacional-socialismo.

 

Sob nacional-socialismo entende-se na Áustria a firme vontade de assegurar à própria nação o melhor status social possível. Essa vontade sobrepõe-se na Áustria à situação legal de fato. Com isso fica compreensível, que se possibilita aos órgãos administrativos superiores garantir e assegurar também sob o código jurídico a ordem nacional-socialista sob a tolerância do povo. E, segundo minha opinião, essa é a mesma mentalidade que se teve na Áustria, há 65 anos, quando o campo de concentração não foi alvo de qualquer contestação pela população, nem os responsáveis foram alvos de qualquer desaprovação pelos austríacos.

 

Apenas muito poucas pessoas conhecem as razões verdadeiras porque as forças aliadas concordaram em 1945 a um status de uma Áustria “libertada”. O motivo principal para isso foi uma concessão dos generais aliados, que conseguiram obter dos negociadores austríacos um término antecipado das atividades bélicas somente com a promessa de declarar a Áustria como nação libertada. Humanamente, essa reação dos generais aliados é compreensível para mim, porém é também um sinal de um prepotente negociador austríaco nacional-socialista, que em vista de derrota bélica irreversível insistiu nessa exigência desavergonhada e desumana.

 

Menos raízes encontram os valores fundamentais nacional-socialistas no Partido Popular Austríaco. Mas os traços liberais desse partido não são suficientes para poder representar realmente uma força política na Áustria. O partido encontra seus seguidores na classe média autônoma da Áustria. Atualmente, esse partido forma junto com o Partido Liberal da Áustria um governo de coalizão na Áustria.

 

Para entender agora, porque os austríacos encontram tanta dificuldade em submeter-se a uma democracia verdadeira precisamos considerar, que os tempos de desenvolvimento para uma progresso social exigem na mesma significativamente mais tempo do que no regime nacional-socialista. Uma orientação nacional-socialista possibilita a exploração humana e econômica de regiões e pessoas não austríacas. ‘Blitzkrieg’ (guerra relâmpago) foi a palavra mágica no nazismo de Hitler. Para isso foram criadas sempre as mesmas figuras do inimigo para justificar perante a própria nação os piores crimes nacionais. Basta lembrar-se das circunstâncias, sob as quais Hitler conseguiu justificar a invasão da Polônia. O nacionalismo atual na Áustria não é militante e também não procura ressonância pública. O espírito do nacional-socialismo austríaco também não parte de um dos partidos estabelecidos na Áustria, porém de uma sociedade secreta, cujos membros distribuem-se por todos os partidos e em geral se constituem na Áustria dos mais altos órgãos da economia, do executivo, legislativo e judiciário. Ao todo, me foi possível localizar nos últimos 13 anos 16 membros, nos quais pude comprovar a qualidade de sócio e estreita ligação entre si, tudo isso com a ajuda de informantes que vivem na Áustria que compartilham das minha opinião política, que aproveitaram meu local de moradia no Brasil para apontar a partir do exterior as ações criminosas dessa organização secreta na Áustria. Tudo isso de um modo, que não asseguro anonimato para mim, já que minha identidade e popularidade na Áustria são utilizadas para emprestar autenticidade aos registros.

 

Essa associação nacional-socialista austríaca secreta domina desde o princípio da segunda república austríaca administrativamente a Áustria para dentro. Para essa associação secreta é absolutamente irrelevante qual partido forma o governo em cada momento ou qual está na oposição. Os meios orçamentários para a imagem externa politicamente democrática da Áustria são controlados e determinados por esse grupo ao redor do chefe de secção Wolfgang Holz. Com isso, a política torna-se indiretamente dependente dessa associação secreta dos nacional-socialistas da Áustria.

 

Os políticos austríacos não dispõem de um conhecimento seguro sobre essa associação secreta. Devido a seus tempos de mandato democraticamente regulamentados, sua penetração nessa associação secreta é quase impossível.

 

Qual é a influência, que esses nacional-socialistas exercem sobre o bem-estar social? No ano de 1945, a Áustria era um país destruído sem alimentação suficiente para seu povo. Hoje, no ano de 2005, a Áustria pertence aos 10 países mais ricos desse mundo no que se refere ao bem-estar social. Isso é possível através de uma ordem nacional-socialista rígida, que não possibilita a consideração pelo cidadão individual conforme está inerente a uma democracia verdadeira. A Áustria não possui recursos territoriais significativos, nem direitos de monopólio internacional, como também não empresas multinacionais dignas de serem  mencionadas. Como essa riqueza rápida da Áustria foi possível? Depois de 10 anos de um estudo intensivo sobre os nacional-socialistas na Áustria eu dispunha dos primeiros conhecimentos seguros. Roubo, fraude e perfídia em nível nacional, organizados contra outras nações, são a explicação para isso. Mas os nacional-socialistas austríacos não realizam isso com armas, mas mediante um potencial aumentado de inteligência criminosa. De cálculos feitos por mim resultou que a Áustria, para manter esse bem-estar social, necessita de receitas no montante de 20 milhões de Euro por dia, além das receitas nacionais normais.  Mas os austríacos não dispõem de quaisquer riquezas ou reservas substanciais. A Áustria está altamente endividada e depende de elevações orçamentárias anuais para manter a sua credibilidade. Se a Áustria recebesse suas receitas exclusivamente de bases democráticas, já constituiria um caso severo de insolvência.

 

Os nacional-socialistas operam na Áustria a maior máquina de lavar dinheiro do mundo. Para isso foram necessários o sigilo e despesas antecipadas legais para isso. O primeiro fica garantido pela influência que o grupo Holz exerce sobre a imprensa. Leis especiais permitem investir na Áustria de maneira segura recursos monetários do exterior, subtraindo-os de qualquer confisco judicial proveniente do exterior. Uma lei de fundações, especialmente desenvolvida pelo grupo de Holz permite trazer do exterior, com isenção tributária, valores de bens não declarados em qualquer montante. A impossibilidade de confisco aos mesmos também é garantida através de uma rede bancária austríaca estável, que também se encontra na área de influência do grupo de Holz. As únicas condições são custos administrativos fixos e a obrigação da completa informação sobre todas as transações ao grupo de Holz. Leis penais brandas que penalizam uma informação errada de impostos com prisão de no máximo um ano e colocam o não pagamento de impostos isento de pena, arredondam a oferta irrecusável para sonegadores de impostos de todo mundo. Para o caso de uma perseguição judiciária a partir do exterior, o legislador austríaco oferece o serviço de uma absoluta não-extração para qualquer estado do mundo. Com essas precondições, que são comunicadas somente a clientes escolhidos no exterior, fica facilmente visível quais dimensões em possibilidades de lavagem de dinheiro se oferecem na Áustria. Tudo para o bem-estar social e nacional da Áustria.

 

 


Capítulo 13

 

Perseguição Nacional-socialista Hoje

 

Nos anos de 1992 a 1996 colecionei meus conhecimentos essenciais sobre o grupo nacional-socialista de Holz na Áustria. Depois disso consegui avaliar antecipadamente as ações a serem esperadas desse grupo mais poderoso da Áustria. Mas isso só foi possível através dos meus amigos de mesma opinião política na Áustria. São amigos que em parte também trabalham em posição administrativa elevada na Áustria e por me apoiarem aqui no Brasil, porque vêm a chance de causar através de uma publicação segura sobre as verdadeiras circunstâncias políticas na Áustria uma mudança no futuro ou pelo menos de colocar um freio nas atividades nacional-socialistas na Áustria. Eu dispunha especialmente de informações sobre as movimentações de Wolfgang Holz, e sabia daí onde e quando ele se encontrava com outras pessoas e em que lugares aconteciam permanentes encontros amigáveis onde eram feitos acertos de natureza política ou econômica.

 

A partir de 1992, Wolfgang Holz tentou com sua polícia fazendária PAST de impedir os negócios das minhas empresas, porque ele sabia, com base no meu embargo tributário declarado, que eu apresentaria todas as minhas declarações de imposto pontual e corretamente, mas não efetuaria quaisquer pagamentos enquanto esse grupo nacional-socialista de Holz na Áustria determinar na clandestinidade a sorte do povo austríaco. Mas ele também sabia que com isso eu não estava quebrando qualquer lei austríaca, porque naquele momento, na Áustria, somente a declaração de imposto falsificada era castigada penalmente com prisão de até um ano, o que, no entanto, eu ou minhas empresas não faziam. Devido ao conhecimento público do meu embargo tributário, muitos especialistas na Áustria clamavam por uma alteração de lei, querendo colocar meu embargo sob pena. O ponto culminante disso foi uma entrevista na televisão austríaca, quando o presidente da Câmara Austríaca de Advogados convidou os legisladores austríacos a remediar a situação e ao mesmo tempo denunciou a repartição da fazenda da Áustria por essa não corresponder às suas obrigações legais. Nesse momento, eu já sabia que o grupo de Holz não desejava quaisquer modificações de direito penal, porque ele mesmo aproveitava-se com todos os empreendimentos na proximidade desse grupo utilizava essa possibilidade de não pagar impostos sem ser penalizados, uma vez que a decisão sobre quais empreses seriam por fim penhoradas ou não era unicamente Wolfgang Holz, chefe de secção no Ministério da Fazenda da Áustria. Eu, portanto, cuidava apenas, que minhas empresas não cometessem atos criminosos na Áustria, porque eu detinha a responsabilidade penal pelas mesmas também aqui no Brasil, já que a legislação aberta ao mundo e democrática no Brasil permite qualquer perseguição penal proveniente do exterior.

 

Neste ponto desejo relatar um acontecimento do qual eu mesmo fui testemunha ocular, podendo, por isso, falar com absoluta autenticidade. Foi ainda no tempo em que eu trabalhava na fábrica de açúcar e prestava esporadicamente serviços durante meus meses livres como motorista de caminhão para uma empresa austríaca. Lembro-me de fornecimentos de aço da maior aciaria austríaca, que se encontrava sob propriedade do estado. Eu transportava como motorista centenas de cargas de caminhão de aço para a Alemanha e de volta para Áustria. Meses antes, essa empresa estava nas manchetes austríacas como companhia que necessitava urgentemente uma subvenção financeira do governo para evitar a iminente falência. Mas os políticos negavam essa subvenção. Perguntei então ao proprietário da empresa de transporte, se não tinha medo de não receber seus pagamentos. Ele me respondeu que nesse caso, ele era pago adiantado, o que era absolutamente incomum. Mas o que me surpreendeu na seqüência era que a mercadoria não era descarregada e o reboque do caminhão era, no dia seguinte, dirigido por mim de volta para a Áustria sem ter sido tocado. Até cheguei a fazer um teste e selava com chiclete as cordas da lona em diversos lugares. Quando da vez seguinte tinha que levar o mesmo reboque de volta para a Áustria, os locais de selagem estavam intocados. Portanto, eu exportava mercadoria da Áustria para trazê-la pouco depois de volta para a Áustria. Na época não encontrei uma explicação para a razão disso. Somente no ano de 1994 recebi a informação que o diretor dessa aciaria estatal era um membro do grupo de Holz. A partir desse momento ficou claro para mim com qual truque o grupo de Holz tinha evitado a falência iminente dessa empresa. Com isso foram canalizados recursos tributários sem a concordância dos políticos, através do grupo do chefe de secção.

 

Agora quero complementar com quais métodos criminais Wolfgang Holz destruiu e tentou incriminar minhas empresas. No ano de 1992, ele instruiu sua polícia fazendária PAST para caracterizar todos os meus negócios como negócios fictícios. A centenas de casos de negócios foi negada a existência e apresentada denúncia em juízo. Porém, por numerosas pessoas, entre as quais centenas de funcionários da alfândega, todos os fornecimentos foram confirmados em juízo e a denúncia contra minhas empresas posta de lado. A partir do ano de 1993, a PAST teve a idéia de questionar todos os meus negócios como sendo negócios anulares ou circulares. Para isso, o único caso de reclamação, no qual a mercadoria foi devolvida pelo cliente devido à quebra da embalagem, foi avaliado como prova para negócios circulares. Pela comprovação de que não existia diferença entre as quantidades de produção e de venda, essa afirmação propositadamente falsa da polícia fazendária PAST também pôde ser levada “ad absurdum”. A partir do ano de 1993 ordenei que para todos os negócios vindouros tivessem retiradas provas em cada entrega de mercadoria, o fornecimento teria que ser confirmada por numerosas pessoas e a repartição da fazenda teria que ser convidada a presenciar a entrega, a fim de assim colocar um freio nessas aparições criminosas da PAST. Na seqüência, isso foi executado. De todos os fornecimentos eram tiradas amostras e guardadas no advogado da minha empresa em Viena. Também mandei um colaborador brasileiro como encarregado de compras da Intertrade Ltda. brasileira para a Áustria para acompanhar e poder testemunhar todos os casos de negócio. Esse foi detido na Áustria pela PAST e ficou preso durante 30 dias sob suspeita de sonegação de impostos, embora a Intertrade Ltda., para a qual ele trabalhava não podia ter com respeito a impostos austríacos. A justificação para essa detenção não ocorreu até hoje por parte da Áustria. No ano de 2005, o senhor Valdir Bieger reporta o que segue sobre o caso:

 

DECLARAÇÃO PARTICULAR

 

Eu, Valdir Antônio Bieger, brasileiro, casado, portador da cédula de identidade no. 13/R 1.944.715, inscrito no CPF sob no. 681.962.969-91, declaro para os devidos fins e para quem possa interessar que na data de 10 de agosto de 1995, às 10 horas e 40 minutos, fui preso pela polícia austríaca, sem saber qual era a acusação ou suspeita, certo de que nada havia feito que pudesse dar margem a tal procedimento.

Na data de 12 de setembro do mesmo ano, fui liberado, todavia a polícia austríaca reteu todo sos meus documentos (passaporte, identidade e CPF) e dinheiro que possuía quando da prisão.

Após o prazo de trinta dias, somente meu passaporte e demais documentos foram liberados, tendo nesta oportunidade retornado ao Brasil.

Cumpre informar que neste lapso de tempo em que estive à espera da liberação de meus documentos, fui amparado pela mãe do Sr. Werner Rydl, que se chama Erna Rydl, tendo a mesma me emprestado dinheiro para custear meu retorno ao Brasil.

Oportuno também informar, que os trinta e dois dias que estive preso pela polícia austríaca, foram os mais horríveis e brutais de toda a minha vida. Neste período ameaças como: “hoje o brasileiro vai para o porão... hoje vamos ver quanto tempo este brasileirinho vai agüentar sem respirar...”, eram constantes.

Fui informado pelos demais presos que, o “porão” era o local onde os presos eram espancados, eram sufocados em sacos plásticos na cabeça ou eram submersos em tanques cheios de água suja e depois presos nus em salas do porão imundas e molhadas, isso a temperaturas negativas, ante o inverno rigoroso que faz na Áustria.

Durante a prisão, fui interrogado quatro vezes, sendo que, todas as perguntas se resumiam sobre o Sr. Werner Rydl, falavam que estavam a muito tempo esperando para “por as mãos nele”, diziam entre si que “o dele estava guardado” e que a ele dispensariam um “tratamento rigoroso”.

Faziam perguntas das quais eu não sabia responder, pois não tinha conhecimento, dos negócios do Sr. Werner na Áustria, ademais eu nem sabia o que tinha feito para estar preso.

Vivia em constantes ameaças, insultos à minha pessoa e em relação à minha nacionalidade, num verdadeiro terrorismo psicológico.

Por tudo que passei e ouvi dos austríacos sobre o Sr. Werner Rydl, neste triste período da minha vida, estou convicto que se o Sr. Werner for extraditado ou coisa que o valha, em pouco tempo ele será eliminado, disto eu estou certo, pois nos momento em que estava sendo interrogado, ouvia “eles” dizendo que o Sr. Werner Rydl deveria ter sido “eliminado” a muito tempo, chegando até a propor que enviassem alguém para o Brasil, para fazer o “serviço”, desacreditando em nossa Justiça.

Não sei se estes comentários eram apenas para me apavorar e impressionar, ou se realmente estavam falando sério.

Oportuno se faz informar, que no ano de 1998, no município de Rio Formoso, Estado de Pernambuco, o Sr. Werner Rydl sofreu um atentado, onde foram deferidos três tiros em direção da janela do escritório onde o mesmo trabalhava, no entanto, eu é que quase fui atingido, pois estava ao seu lado, fato que foi registrado junto à polícia da cidade, todavia nenhum suspeito foi encontrado.

Não sei se esta declaração será de alguma serventia, todavia como brasileiro e sabedor de que o Sr. Werner Rydl nada fez de ilegal que seja do meu conhecimento, me vejo na obrigação de alertar nossas autoridades, de que, caso o Sr, Werner venha a ser extraditado, aos meus olhos e de tantos outros cidadãos o Brasil será cúmplice de um homicídio, um homicídio de um brasileiro, pois é assim que o Sr. Werner se considera: UM BRASILEIRO.

 

Por ser verdade firmo a presente.

 

Itacoatiara – AM, 06 de maio de 2005-06-10

[assinatura]

Valdir Antônio Bieger

 

[Carimbos de registro de documento em  cartório]

 

A partir do ano de 1994, o grupo de Holz teve a idéia de colocar em dúvida a qualidade e a denominação das mercadorias fornecidas pelas minhas empresas. Os produtos foram analisados por processo químico no instituto de análises da PAST. Mas, fosse o que fosse analisado, máquinas continuavam sendo máquinas, catalisadores DPF continuavam sendo catalisadores DPF, óleos para perfumaria continuavam sendo óleos para perfumaria, geléia Royal continuavam sendo geléia Royal. Em 1995, a irritação do grupo Holz estava no seu ponto culminante. Muitas pessoas foram colocadas sem suspeita em prisão preventiva nos anos de 1992 a 1995, mas tiveram que ser novamente libertadas porque, na realidade, não existiam acusações criminais. Ao mesmo tempo, publiquei na minha homepage todas as atividades criminais do grupo de Holz e desta maneira protestei contra o tratamento ilegal sofrido pelas minhas empresas na Áustria. Então, no ano de 1995, todas as minhas empresas foram vasculhadas pela PAST numa ação noturna, confiscadas todas as mercadorias, comprovantes, máquinas e matérias primas, e todos os colaboradores foram detidos. Novamente com a fundamentação de suspeita de sonegação fiscal. Simultaneamente foi-me relatado pelos meus informantes no Ministério da Fazenda da Áustria, que o grupo de Holz exercia uma pressão maciça no sentido de mobilizar a justiça austríaca para formular um requerimento de extradição contra Werner Rydl no Brasil e ao mesmo tempo solicitou à Embaixada da Áustria em Brasília para que organizasse inquéritos técnicos criminais contra Werner Rydl e a Intertrade Ltda. Contrapus-me a essa solicitação com a seguinte correspondência à Embaixada da Áustria em Brasília:

 

À

Embaixada da Áustria no Brasil

Av. das Nações, Lote 40

Setor de Embaixadas Sul

Cep. 70426-900 Brasília – DF

 

 

Ref.: Solicitação de extradição

 

Prezado Senhor Embaixador Ortner!

 

A partir de fontes fidedignas do Ministério do Exterior, bem como do Ministério da Fazenda em Viena tomei conhecimento, que medidas devam ser tomadas através da Embaixada do Brasil, que eventualmente tenham a extradição da minha pessoa para a Áustria por objeto, pelo que apresento para sua informação:

 

Sou, respectivamente fui representado legalmente na Áustria pelo meu advogado, Dr. Putschi, 1010 Viena. As repartições austríacas, há meses exerceram pressão sobre minha representação legal no sentido de mobilizá-la para cessar minha representação legal, mediante a realização de buscas de domicílio judicialmente ordenadas do escritório de advocacia, com documentos tendo sido inicialmente lacrados, confiscados e, depois de algum tempo, abertos, bem como, sem suspeita fundamentada, foi ameaçada a detenção do meu representante legal. Para não expor meu representante legal a uma prisão arbitrária, retirei do Sr. Dr. Putschi os poderes de representação e simultaneamente informei essa repartições sobre meu endereço. Além disso, a senhora Gabriela Rydl, 2486 Pottendorf, Esterhazywohnpark, fica por mim autorizada a receber correspondências de repartições austríacas e mandar para mim sem ter sido abertas. Além disso, as repartições austríacas conhecem comprovadamente, há anos, meu local brasileiro de permanência com endereço postal e possibilidades de telecomunicação.

 

Desde algum tempo as repartições austríacas investigam-me com relação de suspeita de sonegação fiscal. Fato é, que em 1985 fui maltratado e torturado numa prisão preventiva austríaca. Daí resultou inicialmente para mim uma reivindicação de indenização perante a Procuradoria da Fazenda, à qual não recebi até hoje qualquer regulamentação, por parte das repartições. Isso é unicamente possível, porque a República da Áustria ancorou em sua Constituição os direitos humanos internacionalmente válidos somente em forma reduzida, o que de nenhuma maneira deveria caber de nenhuma maneira a uma nação ultimamente envolvida determinantemente em atividades bélicas. Esse respeito menor dos direitos humanos internacionais na constituição austríaca possibilita que pessoas na República da Áustria continuem sendo detidas, torturadas e maltratadas por detentores do poder público, sem que as vítimas disponham da capacidade de comprovação legal. Como prova para o fato de que na Áustria para funcionários federais o maltrato e a tortura estão na ordem do dia, ofereço-me como testemunha viva para esse atos puníveis, bem como remeto ao anuário da organização internacional dos direitos humanos “Amnesty International”, no qual, desde 1987, a República da Áustria aparece anualmente, sendo relatados até hoje excessos de violência por detentores do poder do estado em numerosos casos. Além disso posso provar, que a alma nacional do austríaco continua sendo de origem nazista, de maneira que o perigo de uma repetição do holocausto na República da Áustria, numa forma alterada, a qualquer momento é novamente possível.

 

Uma acusação com força de lei por parte da República da Áustria não existe até hoje. Uma viagem voluntária para a Áustria não me parece conveniente, pois:

Fui ultimamente ameaçado de morte com arma de fogo por detentores do poder austríacos.

Não sou cidadão austríaco.

Como cidadão brasileiro estou sujeito às leis brasileiras, e por isso exclusivamente a justiça brasileira devia ser competente.

À República da Áustria é possível em qualquer momento fazer denúncia penal contra mim no Brasil uma vez que pode ser contado com a possibilidade que acusações penais possam, em decorrência de uma argumentação, levar a uma condenação penal.

Os inquéritos na Áustria estão concluídos e, por isso, não se vê razão porque minha pessoa deveria ser extraditada para a Áustria, já que não existe acusação contra mim.

 

Com fundamento nessas circunstâncias é provável, que uma solicitação de extradição formulada pela República da Áustria tenha como verdadeiro objetivo que, em caso de poder dispor da minha pessoa, eu possa ser, na qualidade de prisioneiro na Áustria e sob a aplicação de habituais torturas e maltrato, obrigado a fazer confissões, que tenham como conseqüência uma imediata, porém injusta condenação, conforme já ocorreu comigo em 1985.

 

Baseado no fato de que a República da Áustria é membro parcial da União Européia, existirá proximamente a possibilidade de submeter a República da Áustria pela primeira vez à obrigação de prestar contas perante uma instância judicial superior, de maneira que meus direitos a indenização deverão ser atendidos, o que na seqüência poderá possibilitar a liquidação dos meus aspectos tributários na Áustria. Naturalmente ofereço à Embaixada da Áustria também minha estreita colaboração com relação a eventuais necessidades jurídicas da República da Áustria. Da mesma forma estaria pronto para, a qualquer momento, atender a uma citação para negociações de um acordo na Embaixada de Brasília sob supervisão testemunhal brasileira.

 

Werner Rydl

Rio Formosos – PE 15.12.1995

Tel.: 0055 81 99647034

 

Motivado por essa correspondência e sob as circunstâncias de que o grupo de Holz não encontrou em primeira instância um juiz que quisesse formular um requerimento de extração, contrário à posição legal austríaca, o mesmo não se concretizou durante o ano de 1996. Naquela época, porém, isso não era minha preocupação principal, mas pessoas de minha confiança informaram-me que o grupo de Holz estava cogitando de então me eliminar no Brasil, isso é, matar-me. Diante disso mandei controlar tudo ao meu redor e não me apresentei em público em datas e horas previamente estabelecidos. Eu sabia que o grupo de Holz não dispunha de pessoas de confiança, que vivessem no Brasil e que pudessem encarregar pistoleiros locais com essa tarefa. Assim, limitei-me, através de pessoas de confiança que trabalhavam na Áustria para empresas de transporte aéreo, e controlar as relações de passageiros quanto a austríacos com destino a Recife. Mas não havia muitos austríacos nessas condições e ficou fácil para mim controlar esse potencial. Na mesma época, porém, Wolfgang Holz, chefe de secção do Ministério da Fazenda da Áustria, procurava outras possibilidades legais para reter de outros exportadores a dedução antecipada de imposto cumulativo a que tinham direito. Ninguém podia obrigar Wolfgang Holz a conceder os créditos, essa possibilidade nem sequer a Suprema Corte da Áustria tem em virtude da situação legal na Áustria. Era mais importante para Wolfgang Holz encontrar uma fundamentação jurídica para o motivo da retenção da dedução antecipada de imposto cumulativo das empresas austríacas. No ano de 1997, seus amigos da Suprema Corte em Viena vieram em seu auxílio e apresentaram uma versão nova de como se podia incriminar todos os atos de negócio das empresas de Werner Rydl. A idéia foi apresentar como fraude um encarecimento de mercadoria, conforme é normal no caso extremo de óleos de perfume chegando a cem vezes. Seguindo esse raciocínio, as empresas de Werner Rydl teriam enganado os exportadores no exterior pela venda de óleo de perfumaria barato com sendo caro. Mas esse raciocínio só faria sentido, se os exportadores não pudessem vender a mercadoria ainda mais caro, o que não ocorreu em um caso sequer. Wolfgang Holz negava aos exportadores o credito tributário a que tinham direito por lei, e o prejuízo então causado aos exportadores tentou transferir de maneira criminosa para Werner Rydl para assim poder provocar a perseguição política desse.  

 

Seus amigos na Corte Suprema prometeram a Wolfgang Holz confirmar em última instância uma condenação encaminhada nesse sentido por uma corte de primeira instância para a Corte Suprema. Agora, bastava para Wolfgang Holz encontrar um juiz de primeira instância em Viena que executasse essa encomenda para uma violação de direito para sua associação secreta nacional-socialista. Levou dois anos até encontrar esse juiz. Max Ortner, juiz na primeira Corte de Justiça é tido como juiz nacional-socialista e acertou com Wolfgang Holz durante encontros particulares na residência do juiz em Viena, contra o pagamento de 14 milhões de xelins em “despacho especial de pensão”, executar essa violação de direito na forma de uma acusação contra todos os colaboradores das empresas de Werner Rydl, juntamente com a condenação dos mesmos. Por essa razão demorou ao todo cinco anos ate ser feita a queixa contra todos os colaboradores de Werner Rydl. Entre esses, seu irmão e sua mãe com idade de 66 anos.

 


Capítulo 14

 

Atividades Econômicas no Brasil

 

Depois de Wolfgang Holz ter destruído no ano de 1995 todas as minhas empresas na Áustria de maneira criminosa, pensei no que eu poderia agora fazer para minha nova pátria para fomentar o progresso democrático e humano. Naquela época, o Brasil tentava obter créditos no exterior junto ao FMI para promover o desenvolvimento. Eu sabia que a isso estão vinculadas obrigações, que se situam no interesse do cedente de crédito. Para isso estudei os relatórios do banco Mundial e pude constatar que a proteção da floresta tropical e da biodiversidade ligada a essa são do mais alto interesse para a nossa comunidade mundial. Portanto, aprofundei-me no assunto da economia na floresta tropical sem com isso destruí-la. Naquele tempo conheci um projeto suíço, que se ocupava com uma extração de matéria prima da floresta tropical com cuidados especiais, eliminando com isso a destruição. Tratava-se nesse caso das atividades da Precious Wood em Itacoatiara – AM. Depois de uma análise detalhada constatei que essa empresa dedica-se exclusivamente a exploração e matéria prima e não do beneficiamento agregador de valor das madeiras tropicais para produtos finais. Pensei que nós, brasileiros, precisamos parar de exportar nossa matérias primas a preços baixos para mais tarde importar produtos acabados caros, ou ncontra-los em mercados terceiros. Por isso fundei uma fábrica que beneficia madeira de segunda qualidade, que não pode ser exportada, para parquete como produto final. Foi fundada a MW Florestal do Brasil Ltda. em Itacoatiara – AM. A produção foi iniciada ainda no ano de 1997. Nossa matéria prima para o parquete recebemos da silvicultura sustentada e com isso tornamo-nos uma das primeiras empresas brasileiras a serem distinguidas com o Ponto Verde da entidade de controle internacionalmente reconhecida ”FSC” pelo beneficiamento ecologicamente correto de matéria prima. Com isso consegui angariar credibilidade internacional para o Brasil e assegurar até o ano de 2005 renda para 600 trabalhadores. Mas houve muitas dificuldades a serem transpostas até tornar-se possível instalar uma empresa de exportação bem sucedida. No ano de 1998, empregados da MW Florestal foram atacados pelo secretário municipal e cinco policiais militares e por ordem do prefeito de Presidente Figueredo – AM, foram ameaçados com armas, máquinas para o trabalho foram destruídas e objetos particulares dos trabalhadores foram “confiscados” sem qualquer demanda judicial. Apresentei uma denúncia muito bem fundamentada junto ao Presidente da República e anexei todas as provas para o trabalho absolutamente legal dos nossos trabalhadores. Seis anos depois, esse caso criminoso mantém-se ainda na fase da investigação, porque o prefeito tem muita influência sobre a Polícia Federal e a Procuradoria do Estado do Amazonas. Como pessoa responsável pelos meus trabalhadores, porém, não posso agir diferentemente do que continuar a apelar à justiça brasileira para fazer frente à injustiça cometida com meus trabalhadores.

 

Mas, houve inicialmente também problemas com a exportação da mercadoria. Recordo-me do dia em que tínhamos embarcado os primeiros dois contêineres da nossa mercadoria no porto de Itacoatiara – AM. Os dois contêineres foram transportados pelos nossos caminhões diretamente até o navio e levados pelo guindaste do navio para dentro do compartimento de carga. Esse processo leva, no máximo, 10 minutos e custava normalmente, no máximo, R$ 250,00 por contêiner. Mas os sindicatos do porto calcularam para esse serviço R$ 5.000,00, e se o pagamento não ocorresse dentro de 72 horas, somava-se uma multa a isso. Mas esse montante absurdo só foi possível porque para esse serviço de 10 minutos e para o qual só se necessitava de um homem, foram calculados pelo sindicato ao todo 18 homens para uma duração de 8 horas. Nesse caso também fiz em nome da MW Florestal do Brasil Ltda. também uma denúncia junto ao Presidente da República do Brasil, em Brasília. Quatro semanas mais tarde, o presidente Fernando Henrique Cardoso assinou uma medida provisória, que permitia aos sindicatos calcular somente serviços efetivamente prestados. Na seqüência, o diretor do porto de Itacoatiara – AM recusou-se a admitir novos embarques para a MW Florestal do Brasil. Somente com um mandado de segurança pode ser assegurado o acesso ao porto pela MW Florestal do Brasil. Mas, sob quaisquer circunstâncias, eu podia confiar nas regras básicas da democracia brasileira para construir o sucesso contínuo para a MW Florestal do Brasil.

No ano de 2003, reduzi para nossos trabalhadores o tempo de serviço semanal de 44 horas para 36 horas e, com isso, a MW Florestal do Brasil entrou na história da legislação brasileira por, com isso, como primeira empresa brasileira exigir somente 36 horas de trabalho semanais dos seus trabalhadores de fábrica pelo mesmo salário de 44 horas. Tudo isso foi, e é possível somente quando se administra sua empresa de maneira criteriosa e percebe seus trabalhadores como o bem mais valioso que uma empresa possa ter.

 

A outra metade dos meus últimos 10 anos passei em Pernambuco – PE. Meu maior interesse eram nesse caso as pessoas de Rio Formoso. Precisei de muitos anos para entender as específicas características brasileiras, mas também o idioma criou dificuldades iniciais, como o trato com estrangeiros, que não dominam a língua brasileira, parecia não ser necessário até agora. Pelo projeto turístico ‘Margens Costa Dourada’, porém, busca-se a exploração turística de Sirimhaem – PE até Maragoggi – AL, no entanto, segundo minha opinião, não suficientemente profissional para realmente animar investidores internacionais em potencial para investir nesse lindo trecho de litoral. Por esse motivo existem até agora apenas isoladamente empresas turísticas, as quais até agora ainda não conseguiram organizar conjuntamente essa oferta regional. Assim, cada empresa encontra-se hoje somente em condições de assegurar a sobrevida empresarial. Eu mesmo consegui nos últimos 15 anos convencer diversos investidores particulares para erguer sua residência particular nessa região, mas devido à falta de infraestrutura básica na nossa região não me foi possível criar o deslanchar para condições favoráveis para uma economia baseada no turismo.

 

Mas, pelo ponto de vista político, essa região ainda não está no ponto para deslanchar um progresso humano. A corrupção e o desgoverno são características dominantes nas respectivas administrações municipais. Não são os argumentos políticos que decidem a conquista de um cargo político nessa região, mas a circunstância de quem consegue distribuir mais cestas básicas na véspera da eleição. Nisso, é indiferente para a maioria dos eleitores se o dinheiro para as mesmas é roubado desse mesmo povo antes ou depois das eleições. Os poucos membros sérios das comunidades não participam da administração políticas das nossas comunidades. Somente no ano de 2003 consegui encontrar o mínimo denominador comum que deverá levar a um desenvolvimento social que obriga a um progresso do desenvolvimento humano. Trata-se de controle, controle, e mais uma vez controle, combinada com a vontade permanente de mostrar os resultados do controle ao público. Por essa razão participei a partir do ano de 2003 da idéia existente de um periódico com o nome “Voz do Mês” e administrei e financiei esse periódico. No ano eleitoral de 2003 financiei também o redator na minha revista para o cargo de vereador para ter uma fonte segura para dados financeiros da nossa comunidade para o periódico. Embora esse homem tivesse minha confiança, duas semanas antes das eleições corrompeu-se ao usar dinheiro, previsto para a impressão do periódico, para comprar votos. Duas semanas antes das eleições encerrei meu apoio e hoje agradeço a Deus que ele não tenha sido eleito. No nosso município de Rio Formoso – PE existem 4.000 lares e a “Voz do Mês” é o único periódico municipal que é distribuído gratuitamente para todos os lares. Através de informações equilibradas e informativas, esse jornal tornou-se, com relativa rapidez, bem-quisto entre a população, mas para os detentores do poder corruptos na nossa comunidade representa um espinho no olho. A problemática consiste na circunstância, que os interesses políticos dos representantes do nosso povo não é verdadeiramente compatível com os interesses administrativos que resultam na condução eficiente de uma comunidade. Sou da opinião que hoje deveria ser possível a todos os municípios do Brasil impedir mediante uma condução administrativa competente o “sofrimento de fome” do cidadão brasileiro individual com os meios financeiros que cada município recebe do Governo Federal.

 

Isso significa para mim, que nos municípios brasileiros, nos quais cidadãos brasileiros precisam passar fome, não existe uma administração municipal competente. Lamentavelmente, minha terra, Rio Formoso – PE, inclui-se entre esses. O auxílio pela municipalidade destina-se somente às pessoas que nas eleições deram seu voto a esse órgão. O resto da população é classificado como sendo de traidores e por esse motivo não recebem os direitos fundamentais que, no entanto, lhes cabe com base na nossa constituição democrática.

 

Por esta opinião sou, naturalmente, denunciado sempre quando for possível pelos atuais detentores do poder, sendo visto como inimigo político sem, no entanto, ter realmente relações com qualquer partido político. Sou de opinião, que toda responsabilidade civil pessoal do indivíduo em qualquer momento deva ser valorizado mais alto do que a responsabilidade por um comportamento fechado partidário. Que os políticos deviam ter a possibilidade de a qualquer momento mudar sua vinculação partidária sem sofrer represálias, e que pudessem fazer isso realmente, é para mim precondição para as condições democráticas legais no Brasil. A prática existente é prova para mim, que o Brasil constitui verdadeiramente uma democracia. Bem ao contrário das minhas experiências na Áustria!

 

Nosso bem e nossa ferramenta democráticos mais valiosos são nossa voz no dia das eleições. Com isso influenciamos conscientemente o desenvolvimento da nossa sociedade. Estou convicto, que, com a observação de algumas considerações fundamentais, podemos utilizar nossa voz para eleger de fato nossos melhores representantes do povo. O primeiro fundamento para isso devia ser que o candidato, que tentar comprar nosso voto ou de fato pagar por ele, não ganhe o mesmo sob quaisquer circunstâncias, mesmo que talvez tenhamos que anular nosso voto para isso. Mas o que vem antes dessa regra é que façamos efetivamente uso do nosso direito de votar. Além disso, precisamos nos informar muito bem sobre os candidatos e nesse caso vale que “menos promessa” sugerem uma maior credibilidade. Decisiva é também a circunstância pela qual candidato dispõe da maior experiência administrativa em comparação com a experiência de sobrevivência política. Portanto, nem sempre “quem mais alto ruge precisa ser um leão”. Mas também não devemo-nos desesperar na escolha dos nossos candidatos. Em princípio escolhemos sempre entre uma opção ruim e outra péssima. Se, nas nossas decisões, escolhermos sempre o mal menor já contribuímos ativamente no sentido de provocar um progresso social. Mas finalmente, “não se pode contentar a gregos e troianos”.

 

Por essa razão já fui uma vez caluniado até como traficante de drogas e tive que participar no ano de 2000 de uma CPI no Recife. Mas também difamações, segundo as quais eu devia ter sido traficantes de mulheres e estuprador não me inquietaram muito, porque nossos direitos fundamentais brasileiros são confiáveis. Conheço a outra prática da minha terra natal, a Áustria, onde um criminoso, na qualidade de denunciante, tem influência até na Corte Suprema, porque as regras democráticas fundamentais não são defendidas sequer pelo povo austríaco. Nesse ponto desejo agradecer a todos os brasileiros que nunca me fizeram sentir que, como estrangeiro, eu deveria ser uma pessoa inferior. Todos me deram uma pátria, como nunca a tive. Por isso quero ser agradecido e servir à nossa sociedade enquanto estiver vivo.

 


Capítulo 15

 

A Áustria – Um Primeiro Mundo?

 

Para me antecipar – a Áustria nunca pôde ser classificada como sendo do “primeiro mundo”. Apenas o fato de ser uma nação rica não admite essa conclusão. A Áustria passou pelas muitas guerras que provocou e em que participou de um aborto nacional ao outro. Pela permanente perseguição e luta contra a inteligência humana extraordinária, que assim foi constantemente expulsa do país, o desenvolvimento para uma sociedade de alto padrão de desenvolvimento não foi possível. Neste capítulo desejo fornecer a prova, que o desenvolvimento social do Brasil deve ser classificado em nível mais elevado do que o da Áustria. Apenas nossa humildade brasileira impede-nos de enxergar essa conclusão e de deixar-nos reconhecer uma firme estrutura nacional existente no Brasil. À Áustria nem sequer foi possível até hoje representar uma verdadeira democracia liberal, na qual o indivíduo possui o valor como o encontramos na nossa democracia brasileira. Cada conflito nacional resolvido belicamente custa sempre mais em energia humana do que possa ser suprida depois do seu término. A cicatrizes nunca saram totalmente no nosso universo.

 

O austríaco mais conhecido no nosso mundo continua sendo Adolf Hitler. Seus crimes são conhecidos como os piores da história mundial. Com uma ação criminosa perante a Polônia, na qual deu a ordem de promover um ataque contra tropas alemães de fronteira, para, com esse ato criminoso por ele simulado, poder na seqüência desencadear a segunda guerra mundial mediante uma mentira, ou seja, de que tropas polonesas tinham praticado esse ataque. Essa tática não mudou até hoje nos detentores do poder austríacos se observarmos para tal minha história atual. Até a primeira guerra mundial foi desencadeada indiretamente por um austríaco. Portanto, se hoje olhamos para Áustria, as raízes desse país estão intimamente ligadas com sua história. Pela circunstância, de que a Áustria foi vista depois do regime de Hitler como nação libertada impediu um desenvolvimento verdadeiramente democrático na Áustria. Depois de 60 anos da Segunda República não existe sequer um partido político que tenha a palavra “democrático” em sua denominação de partido e esteja representado no parlamento austríaco. Durante o tempo de Hitler, mais de 90% dos austríacos estiveram em conformidade mental com as condições nacional-socialistas. Depois de 1945, os austríacos não foram submetidos a qualquer reeducação política da maneira como foi feito nos alemães, através de um esclarecimento sobre as verdadeiras condições democráticas. NO ano de 1955, à Áustria foi imposta uma democracia que ela na verdade não queria, e até hoje não conhece. Essa mentalidade nacional-socialista conseguiu sobreviver no cidadão austríaco e mostra-se claramente no comportamento internacional dos órgãos jurídicos, legislativos e executivos da Áustria. Os valores nacionais estão situados claramente acima do direito individual do cidadão. “Não pode ser, o que não é permitido ser” representa nisso a afirmação, e com isso anula-se em ultima conseqüência a de fato a precondição do estado de direito. Mas isso podemos também identificar estatisticamente na Áustria. Não conheço casos, nos quais funcionários públicos austríacos em posições mais elevadas tenham sido condenados a penas de prisão nos últimos 30 anos. Não porque funcionários públicos austríacos não cometessem delitos, não, esses não podem existir, porque isso contrariaria qualquer princípio nacional-socialista. Na Áustria é preciso aceitar que pessoas sejam condenadas penalmente sem ter cometido atos criminosos se isso for necessário para manter funcionários públicos isentos de aspectos criminais. Porque esses funcionários públicos assinam na Áustria como responsáveis pelo bem-estar nacional e social, e a liberdade pessoal do indivíduo, que se encontra ancorada em valores fundamentais democráticos deverá, nesse caso, estar em segundo plano.

 

O que podemos nós, brasileiros, então deduzir dessa situação da Áustria? Que nossa democracia no Brasil é uma democracia viva é diariamente levada à nossa consciência pelos noticiários na mídia brasileira sobre corrupção e outros delitos de funcionários públicos. Na Áustria, corrupção não é crime que seja perseguido efetivamente. A corrupção na Áustria é organizada nos níveis mais elevados e é parte integrante da economia austríaca. É uma situação impensável aqui para nós brasileiros. As menores irregularidades na organização brasileira levam imediatamente a protestos pela população, que também dispõe das possibilidades legais para imediatamente dar término às situações mais criminais. Os austríacos precisam sempre de guerras com anos de duração com suas piores conseqüências para livrar-se dos seus detentores de poder indesejados. Nessa situação nada mudou até hoje.

 

Mas o que perfaz o sucesso econômico da Áustria? Porque temos na Áustria um salário mínimo de R$ 4.000? Porque os austríacos trabalham somente 36 horas semanais para isso? Porque os austríacos têm uma aposentadoria média de R$ 3.000? Porque os austríacos possuem um dos melhores sistemas de saúde? A resposta é fácil de achar. Na essência do nacional-socialismo reside o enriquecimento da própria nação através do roubo, da fraude e de outras atividades criminais organizadas pelo estado frente a outras nações. A Áustria registra o maior sucesso econômico na qualidade de maior máquina de lavagem de dinheiro encoberta da Europa. Correspondentes medidas legais na Áustria, que por um lado deveriam impedir a lavagem de dinheiro, trouxeram outras leis consigo, que procuram “legalizar” a lavagem de dinheiro em forma alterada. Uma refinada rede de analistas das altas finanças que está organizado a partir da Áustria e se espalha sobre o mundo todo fornece todas as informações sobre onde existem oportunidades para trazer dinheiro não tributado para Áustria e proporcionar aos verdadeiros proprietários estrangeiros serviços secretos. Para isso encontra-se uma rede mundial de bancos austríacos reconhecidos à disposição, que apresenta propostas de solução para qualquer situação problemática estrangeira, e oferece seus serviços a elevados preços. De acordo com cálculos, a Áustria necessita hoje 20 milhões de Euro diariamente em receitas acima das “receitas comerciais normais” para poder manter seu status de estado de bem-estar social. Essas receitas são garantidas para a Áustria através de medidas administrativas nas posições nacionais mais elevadas,

 

Mais de 30% de todos os montantes monetários ilegais de comissão provenientes do comércio internacional de armas é gerenciado e administrado através da Áustria com a participação de empresas austríacas. Para tornar essas atividades mais compreensíveis a nós brasileiros precisamos entender que sob especialistas das altas finanças entendem-se na Áustria pessoas formadas que no Brasil são comparáveis com pessoas com conceito de “doutores”. Essa pessoas procuram para si acesso a posições ou outras pessoas de uma nação, que desejam ou precisam manter montantes em dinheiro livres de tributação. Por meio de uma apresentação educada e treinada dessas pessoas ao redor do mundo fica-lhes possível de rapidamente conquistar a confiança do seu meio e mediante a disponibilização de infraestrutura da Áustria satisfazer os desejos criminais dos seus clientes sob o charme de sons musicais e a inserção da tradição austríaca. Porém, no plano nacional isso não é organizado por órgãos políticos ou democraticamente eleitos, mas no nível dos chefes de secção, que são funcionários públicos em ministérios, que dispõem de empregos fixo de dezenas de anos e cujas possibilidades de ação de longe excedem aquelas de órgão democraticamente eleitos. A condição fundamental para suas ações bem sucedidas é, entretanto, o sigilo, da mesma maneira como a 70 anos atrás ninguém deveria saber o que se passava no campo de concentração de Mauthausen. Naquele tempo, as piores descrições de testemunhas oculares da época foram de longe superadas pelos conhecimentos efetivos adquiridos depois da abertura desse campo de concentração.

 

Se hoje compararmos a qualidade da nossa democracia com a democracia fictícia da Áustria, então precisamos, na suposição de que a austríaca seja uma a ser vista como do primeiro mundo, descrever a nossa brasileira como sendo do ‘zerésimo’ mundo. Como ‘zerésimo’ mundo vale para mim aquele mundo, que pode servir de exemplo para o assim chamado primeiro mundo. Essa conceituação faz justiça à democracia brasileira, depois que me mentiram durante 18 anos de estar crescendo no primeiro mundo. Se hoje consideramos a Áustria como parte de uma união de nações européias sob a denominação de União Européia, então as aspirações dos austríacos dentro dessa união continuam fieis à sua convicção nacional-socialista. Eles vêem sua vantagem de, dentro dessa união, assumir uma posição de força que lhes permite ocupar no futuro posições de liderança para assegurar o bem-estar nacional e de nenhuma maneira conseguir vantagens além das nacionais. A Áustria é hoje a muleta da união européia e precisamos examinar de perto a influência futura da Áustria sobre a União Européia, porque ninguém pode nos garantir, que a versão austríaca de um “Adolf Hitler” foi a última versão devastadora que os austríacos tinham à disposição para a nossa comunidade mundial. Defendo a opinião de Huxley, que enxerga antes de uma globalização total da nossa comunidade mundial a globalização continental. Hoje, a globalização do continente americano é a que mais avançou. A globalização do continente europeu continua para mim constituindo o maior desafio e, além disso, a mais difícil. Em nenhum lugar existem diferenças nacionais maiores, cuja superação, em virtude da globalização, até agora tornou-se impossível na forma pacífica. Quanto maior for a influência que a Áustria ganhar nesse processo, tanto mais preocupados devemos nós brasileiros ficar com relação a isso. Sou de opinião, que na globalização avançada do continente americano encontram´se as maiores chances para uma vantagem brasileira, mas também para ocupar no futuro um papel na comunidade mundial a que temos direito em base da nossa estrutura democrática existente. É nisso que atualmente residem nossos maiores potenciais. Abrimos nosso mercado brasileiro, há 10 anos, ao comércio mundial. Agora precisamos consolidar nossos sucessos decorrentes disso para alcançar resultados maiores e melhores do que os sucessos de um ofertante de matérias primas baratas. Disso faz parte analisar bem o que perfaz a sucesso de outras nações e, especialmente no caso da Áustria, aprender que, pela abertura das nossas fronteiras, também nos tornamos economicamente mais vulneráveis à criminalidade comandada a partir do exterior. Mas, de nenhuma maneira podemos abandonar nossos fundamentos democráticos e enfrentar a criminalidade nacional com criminalidade na direção contrária. Precisamos imunizar o Brasil contra a exploração e discriminação e procurar com nosso brilho democrático encontrar nosso lugar fixo na comunidade mundial, e não deixar escapar de vista países unidos com a mesma, como a Áustria com seu passado, para não mais dar a oportunidade à história de compartilhar do nosso futuro.

 

Se refletirmos sobre a Áustria, não devemos esquecer nossos 1567 marinheiros e 421 soldados da infantaria brasileiros, que perderam a vida na luta contra essa loucura nacional-socialista da Áustria. Até hoje, a Áustria não se desculpou de alguma maneira aos brasileiros pelos crimes do austríaco Adolf Hitler, cometidos contra os brasileiros e a comunidade mundial humana. Desejo servir à minha pátria brasileira, ajudando para não deixar essa pequena Áustria fugir dos olhos e denunciar qualquer ataque traiçoeiro dos austríacos contra os bens e a vida da nossa comunidade mundial. Para isso também me sinto responsável em nome dos meus antepassados austríacos.

 

 


Capítulo 16

 

Preso no Brasil

 

Em 30.03.2005, meu melhor amigo brasileiro e eu estávamos no caminho de Manaus para Brasília para freqüentar um seminário sobre proteção ambiental, ou melhor, um seminário para a proteção da floresta tropical brasileira, quando fomos presos pela Interpol de Brasília, ao deixar o avião. Para mim, isso não constituiu uma maior surpresa, porque eu sabia que brasileiros naturalizados podem ser extraditados em qualquer momento devido a quaisquer acusações de crime provenientes do exterior com base no direito constitucional brasileiro. Mas, nunca me mantive escondido por isso, mas confiava que a justiça brasileira logo perceberia esses truques nazistas de prestidigitação dos austríacos. Encarreguei meu amigo da administração da MW Floresta do Brasil e aproveitei meu tempo livre “compulsório” para preparar meu finale com a Áustria. Agora era o momento ideal para concluir meu livro, que comecei 20 anos antes na Áustria. Naturalmente estudei as acusações contra mim, apresentadas ao Ministro da Justiça do Brasil pela justiça austríaca, através da Embaixada da Áustria em Brasília. Já a primeira impressão foi tranqüilizante. Na Áustria vale uma regra que diz: “Quando nada tiver a dizer sobre um assunto, fale muito sobre ele, até que todos acreditem no teu nada”. Este dito foi a base para as acusações que não podem existir por parte da justiça austríaca, contidas em mais de 180 páginas escritas. Tentarei agora, em menos de duas páginas, descrever como essas 180 páginas foram construídas.

 

Através do meu embargo tributário politicamente motivado, que já descrevi num capítulo anterior, o chefe superior da secção de tributos no Ministério da Fazenda austríaco começou a sofrer pressão maciça, porque os montantes de tributos retidos pelas minhas empresas, uma atitude que na Áustria não está sujeita a pena, desencadearam para ele obrigações legais de pagamento, respectivamente para a Fazenda austríaca. Todos os especialistas entendidos austríacos exigiram uma mudança na situação legal. Wolfgang Holz e seu bando não queria concordar com a mesma, porque sejam quais fossem as alterações feitas, elas teriam levado a restrições de poder para ele. Portanto, ele limitou-se a não corresponder às suas obrigações legais de crédito das deduções antecipadas de imposto cumulativo (ICMS a cobrar), com a justificativa de que, na realidade, tinha havido atos de negócio, mas que as mercadorias descritas não correspondiam as mercadorias de fato, sem, no entanto, dar uma explicação o que óleos de perfume possam ser, senão óleos de perfume, madeira possa ser, senão maneira, etc., etc. Isso, naturalmente, não era juridicamente sustentável, e ele viu-se obrigado a defender essa idéia criminosa, tentando levar para diante que um juiz da Suprema Corte e um juiz corrupto de primeira instância incriminem Werner Rydl. Porque, seguindo a inteligência nacional-socialista, não pode haver ato culposo de Wolfgang Holz, se outra pessoa pode ou puder ser condenado por isso. Parte-se da suposição, de que o Supremo Tribunal Federal do Brasil não disponha da inteligência para perceber esse procedimento fraudulento contra Werner Rydl. Hoje, eu não gostaria de ocupar o lugar de Wolfgang Holz, por melhor que fosse a recompensa. Mas também não da Ministra de Justiça austríaca e do Embaixador da Áustria em Brasília, que garantiram por escrito ao Brasil que, em virtude de uma extradição do Werner Rydl para a Áustria, em casos idênticos estariam em condições e prontos para atender uma solicitação de extradição por parte do Brasil. Essa asseveração por escrito da Ministra de Justiça da Áustria, a partir da perspectiva brasileira, naturalmente não vale o papel em que está contida, por exigir a extradição de um brasileiro, o que a constituição liberal brasileira admite, mas em nenhum caso a austríaca. Mas, há coisas piores. Uma lei tributária austríaca nem sequer permite a extradição de um estrangeiro com base em delitos tributários (máquina de lavar dinheiro austríaca). Para os Ministros de Justiça austríacos, a quebra cotidiana da lei constitui uma coisa absolutamente normal e legal, ou alguém teve qualquer dúvida até aqui sobre minhas descrições sobre a Áustria?

 

Outras informações podem futuramente ser encontradas sob www.rydl.net.

 

Mas, meu livro não pode ser encerrado neste ponto, porque minha maneira atípica de ser não o permitiria, portanto está iminente outro ponto culminante, que deixará os detentores de poder da Áustria numa pior imagem possível no mundo. Em virtude da conversão monetária do xelim austríaco para o Euro no ano de 2002, fiquei obrigado a encerrar meu embargo tributário contra a Áustria. Todos os montantes tributários que eu acumulei nos anos de 1992 a 1995 através das minhas empresas austríacas eram em xelins austríacos. Para poder manter em pé o embargo, teria sido necessário trocar essa soma em nome das minhas empresas até 28.02.2002 junto a bancos austríacos para cédulas de Euro. Em virtude de uma troca dessa natureza teria que ocorrer um confisco desses montantes de dinheiro. Qualquer outra forma de uma troca para Euro constituiria um delito criminal. Como, até hoje, não me incriminei por mim mesmo, só o pensamento em incriminar-me por esse processo pela primeira vez era impensável já a partir da minha maneira de ser. O fato é, que o montante de tributos, que minhas empresas tinham acumulado no valor de 21 milhões de Euros está disponível desde março de 2002 no Banco Nacional da Áustria numa conta que corre sob o nome da República da Áustria, porque uma retirada através da troca contra xelins austríacos é impossível, porque destruí publicamente em sinal de protesto contra a máfia do chefe de secção da Áustria. Duvido que com isso ajudou-se diretamente aos exportadores prejudicados pela repartição fazendária da Áustria, porque a história da Áustria nos ensina que os crimes de detentores do poder austríacos só podem ser julgados depois da sua morte. Sim, a Áustria é assim.

 

 

 

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